Taxista diz que PM massacrou torcedores comuns no Morumbi e leva São Paulo à Justiça.

Diego Garcia, do ESPN.com.br

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EXCLUSIVO: imagem do confronto envolvendo torcedores do São Paulo e PM na Libertadores.

O taxista Wesley Andrade viveu momentos tristes no dia 6 de julho de 2016, quando tinha saído de casa para torcer pelo seu clube de coração, o São Paulo. O torcedor acabou sendo atingido por bombas do lado de fora do Morumbi, acusou a PM de massacrar cidadãos comuns, teve lesões sérias e decidiu ir à Justiça contra o time tricolor.

Agora, Wesley busca ser indenizado por conta dos ocorridos após o duelo contra o Atlético Nacional, quando os arredores do estádio se transformaram em um campo de guerra. O autor da ação processa não apenas o São Paulo, mas também a Fazenda Pública do Estado.

O motorista relatou ao Poder Judiciário que, depois de ver seu time perder por 2 a 0, apesar de ter assistido ao jogo com torcedores que não são organizados, acabou saindo do local junto aos uniformizados por culpa dos organizadores do Morumbi.

Wesley conta que a confusão começou às 23h50, logo após o término do jogo, quando membros da Independente – principal organizada tricolor – tiveram ação violenta e criminosa. Os “arruaceiros”, como chama o taxista na ação, saquearam as garrafas de vidro de vendedores amvulantes e passaram a destruir os carros e veículos de transporte público que encontravam pela frente na região.

Wesley, então, relata que, ao lado de outros são-paulinos normais, não conseguia ir embora, pois a confusão era em frente ao portão de saída. A Polícia Militar, por sua vez, “agiu de maneira truculenta, atacando indiscriminadamente torcedores comuns que estavam saindo do jogo, mesmo estando fora da área onde a Independente estava”.

No caminho para seu veículo, o taxista diz que “foi surpreendido com uma barreira policial, os quais o impediram de prosseguir, gritando termos pejorativos como ‘volta, filho da p…, para o outro lado, c…”. Em seguida, Wesley foi atingido por uma bomba de efeito moral pelas costas, que explodiu na região das suas pernas, causando graves lesões.

E não parou por aí. O relato do motorista à Justiça diz que a tropa de choque da PM encurralou torcedores que sequer reagiam e mesmo assim “os massacravam com disparos de bala de borracha e bombas de efeito moral, em meio a bofetadas e solavancos”. Não satisfeitos, os policiais ainda o pisotearam, segundo disse Wesley ao tribunal.

Depois de tudo isso, o taxista informou que só conseguiu ir embora depois de 40 minutos, tempo que os policiais demoraram para autorizar a saída dos torcedores comuns. Wesley foi direto para o hispital, onde ficou constatado que sofreu queimaduras de segundo grau nas pernas e teria que permanecer em repouso por 30 dias.

O taxista também precisou de cirurgia plástica na região para reconstrução de tecidos para retirada de estilhaços, além de resíduos de pólvora, que entraram em suas pernas. Wesley fez um boletim de ocorrência no dia da briga e colocou o documento junto ao processo que corre na 4ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de São Paulo.

Diante dos fatos, Wesley pede indenização por dano moral e material tanto do São Paulo quanto do Estado. O valor pedido é de R$ 63.201,76.

Procurado, o time tricolor disse que só irá se manifestar nos autos.

GAZETA PRESS

Morumbi foi palco de guerra após São Paulo x Atlético Nacional, em julho
Morumbi foi palco de guerra após São Paulo x Atlético Nacional, em julho

A briga aconteceu em frente aos portões 4, 5 e 6 do Morumbi e prosseguiu até a Praça Roberto Gomes Pedrosa. Na ocasião, a PM se justificou da seguinte forma: “Torcedores organizados atacaram os vendedores e depois roubaram torcedores comuns. Aí nós fomos intervir. Foram 12 policias feridos, dois torcedores agredidos pela torcida e nove detidos. Nós nos dividimos, porque eles se dispersaram por várias ruas e usamos munição não letal. Eles estavam com uniforme da Torcida Independente, mas não entraram no estádio”, afirmou o Tenente Coronel Gonzaga.

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