7 anos após deboche de Anderson, Demian se reinventa para enfim colocar São Paulo no topo do UFC.

Igor Resende, do ESPN.com.br

Há sete anos, Anderson Silva abusou das provocações contra Demian Maia no UFC
Há sete anos, Anderson Silva abusou das provocações contra Demian Maia no UFC

Economica ou esportivamente falando, São Paulo é sem sombra de dúvidas um dos principais estados do Brasil – talvez o principal. Quando se fala de UFC, porém, a história não é bem essa. Em um esporte dominado pelas escolas carioca e paranaense, os fãs paulistas de MMA ainda não tiveram a chance de ter um conterrâneo legítimo como campeão da principal competição do mundo.

Isso, porém, pode mudar hoje. Demian Maia entra em ação para desafiar o campeão Tyron Woodley e finalmente trazer um cinturão para o estado.

‘Campeão legítimo’ porque o UFC já teve um atleta nascido em São Paulo como campeão. E esse atleta é ninguém menos que Anderson Silva. Spider, porém, nunca foi realmente identificado com o estado. Se mudou e de formou lutador em Curitiba e depois treinou boa parte da carreira no Rio de Janeiro, antes de se mudar para os Estados Unidos.

Demian Maia é 100% paulista. Nascido na capital, iniciado na luta no estado e formado em jornalismo pela Cásper Líbero. Tem sua própria equipe e sua própria academia em terras paulistanas.

Curiosamente, ele tem Anderson Silva mais que marcado em sua carreira.

Em abril de 2010, Demian teve sua primeira chance de ser campeão, ainda lutando na categoria dos médios. Aproveitando as lesões de Chael Sonnen e Vitor Belfort, foi chamado para disputar o cinturão. Só que Anderson Silva era muito superior naquele momento. E fez questão de deixar isso muito claro. Dominou completamente e até debochou do adversário quando pôde.

Agora, Demian garante que a história é completamente diferente.

“Naquela luta eu era o azarão, o cara que estava indo lá como terceira opção. Eu não tinha um nível competitivo ainda para ganhar do Anderson. Poderia ganhar, mas não foi uma coisa tão construída como agora. Essa construção hoje me faz ter consciência que tenho 50% de chances, pode ser eu ou ele. Independente de apostas ou não, sei que a realidade é essa. É 50-50. Na luta do Anderson não era isso, ele era claramente o favorito”, diz Maia.

De fato, a chance de disputar o título veio com muito suor. O projeto começou ainda em 2012, quando Demian decidiu baixar de peso. Lá, montou uma equipe nova, com a promessa de seu head coach, Eduardo Alonso, de que teria a chance de disputar o cinturão.

“Nunca imaginei que ia demorar tanto tempo, que ia ser tão difícil”, brinca Alonso.

Foram 12 lutas como meio-médio, com 10 vitórias – sete delas em sequência.

“Muita gente vai falar que a mudança é por causa do peso, do tamanho. Mas eu não acho. O principal é a equipe que eu consegui montar. Quando eu baixei, o Edu virou meu head coach. E a gente continua junto desde aquela primeira luta. O Edu conseguiu ver coisas que as pessoas não vêem. Mesmo o cara que viveu a luta inteira no jiu-jitsu, campeões mundiais. O Edu, sem treinar jiu jitsu, percebeu isso. Conseguir ter essa constância foi fazendo melhorar”, explica Demian.

O teste final de toda essa evolução acontece no UFC 214, contra Woodley. Seria a conclusão de um ‘conto de fadas’. Ou de um filme à lá Benjamim Button, como brinca o próprio Demian, já com quase 40 anos de idade – ele seria o segundo campeão mais velho da organização, atrás apenas de Randy Couture, que conquistou o cinturão aos 45.

“Engraçado isso. Me sinto bem melhor hoje. Isso é uma soma de fatores. Sou muito mais profissional hoje em dia, tenho aquilo da consistência, ano após ano, fazendo o negócio direito… Eu não sinto o meu corpo perder performance. Isso é uma coisa que me intriga, sei que uma hora isso vem. Eu fico até observando, as vezes eu treino, mas não sinto perder performance. Até brinquei outro dia, tem aquele filme do Benjamin Button, eu estou meio assim (risos)”, diz.

 

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