Primeira árbitra brasileira no UFC, conheça Camila Albuquerque; confira.

Do Zigzagdoesporte.com.br por Mayara Munhos de espnW.

Foto: Facebook.

Com a média de um evento a cada três meses, Camila não se dedica 100% a arbitragem. Em Fortaleza, ela é dona de uma clínica veterinária.

Camila Albuquerque é natural de Fortaleza, Ceará. Veterinária, ela foi convidada a treinar kick boxing por uma amiga em 2005, enquanto ainda fazia faculdade e, por fim, acabou se apaixonando. Mais tarde, porém, ela foi treinar kung fu e decidiu levar em paralelo com os estudos.

Três anos depois, Camila teve uma lesão no joelho que a tirou dos tatames e a levou para uma sala de cirurgia. No mesmo ano, ela ainda participou do Campeonato de Kung Fu e, posteriormente, decidiu fazer um curso de arbitragem em Sanda (uma vertente da modalidade). A partir de então, ela arbitrou diversos eventos locais e até fora do Brasil, como o Panamericano do México.

Mais tarde, observando o crescimento do MMA no Brasil, ela partiu para as artes marciais mistas e coincidentemente, Mário Yamasaki, árbitro brasileiro que atuava no UFC, veio para cá e, em 2012, ministrou um curso de arbitragem em Manaus. Camila participou, passou na prova e começou a arbitrar eventos pelo país.

“Com esse resultado, eu fui convidada pela Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA, a fazer parte do quadro de arbitragem”, disse a árbitra ao espnW.com.br. A CAB é responsável por todas as arbitragens no UFC do Brasil e América do Sul.

Em 2015, Camila Albuquerque foi a primeira brasileira a estar no octógono do UFC em Porto Alegre, onde arbitrou os duelos entre Douglas D’Silva e Cody Gibson e Jéssica Bate-Estaca e Marion Reneau. Do mundo, ela foi a segunda, atrás da americana Kim Winslow que foi a primeira mundialmente, em 2009. Desde então, ela já esteve presente em oito edições do Ultimate Fighter.

Além de UFC, ela também faz eventos locais e outros como o Shooto, mas ela não pode arbitrar em países como Estados Unidos por conta da confederação regularizadora.

“Nos EUA, cada estado tem sua comissão. Você precisa ser filiado em cada estado para que possa fazer parte do quadro de arbitragem deles”, explicou ela, que já fez um evento em Las Vegas, mas de MMA Amador. Chile, Argentina e México são exemplos de países sul-americanos comandados pela CABMMA em que ela pode arbitrar, mas é claro, ela tem ideias de expandir seus horizontes.

“Estão nos meus planos fazer o curso de arbitragem do Big John, ex-árbitro do UFC, em Vegas. Quero conhecer as pessoas lá para quem sabe, surgir uma oportunidade. Sei que é bem mais complicado lá pois são muitos árbitros disponíveis e os gastos com meu deslocamento e estadia seriam bem maiores do que com árbitros locais”, disse.

Com a média de um evento a cada três meses, Camila não se dedica 100% a arbitragem. Em Fortaleza, ela é dona de uma clínica veterinária. E além disso, ela é faixa azul de jiu-jitsu, faz preparação física todos os dias e ainda arruma tempo para treinar kick boxing.

Ela ainda não tem filhos, mas é casada há quase um ano e meio e contou como conheceu o marido, Alexandre Medeiros. “Foi em 2013. Ele é repórter e fez uma entrevista comigo. Depois disso, me adicionou no Facebook, trocamos mensagens, ele me trouxe o cachorro dele para operar e fomos nos conhecendo”, conta.

E, por estar num meio tipicamente masculino, ela contou também que o marido a apoia em tudo, apesar de preferir não assistir aos treinos: “Mas também não reclama”, disse.

“Ele me apoia em viagens de cursos ou a trabalho sempre. Ele só fala alguma coisa quando eu chego em casa procurando gelo por me lesionar”, ressaltou Camila.

Sobre o aumento da presença de mulheres no meio das artes marciais, inclusive na arbitragem, Camila confessa ter observado uma tendência alta de crescimento, e ressalta: “Estou muito feliz com a presença das mulheres tanto nos tatames, nos treinos e até nos bares assistindo. Elas assistem e comentam com sabedoria e isso só tende a melhorar. Já na arbitragem, quem sabe uma pode convidar a outra para também fazer parte. Seria bacana ver mais brasileiras”.

Como o esperado, ela também se cobra muitas vezes mais que um homem, já que tem consciência de que um erro, não seria visto da mesma maneira caso fosse um erro masculino.

“Arbitrar no UFC é sempre muito tenso. Eles esperam de você a perfeição e é assim que devemos ser”, disse.

Ela também ressaltou a dificuldade de analisar um golpe na hora, enquanto na TV, é possível ter zooms e replays para analisar melhor: “Na realidade, nós só tivemos alguns segundos para decidir o que fazer lá de cima. Requer muita concentração, calma e conhecimento”, completou.

E por mais histórias difíceis que ouvimos sobre arbitragem, por tantas mulheres que já optaram por retirar-se do mercado para não precisar ouvir tantos insultos, Camila deixa seu recado:

“Nunca desistam e nem deixem que outras pessoas diminuam sua capacidade de alcançar seus objetivos. Se você realmente gosta de determinada coisa e quer chegar no topo dela, só dê o primeiro passo e siga em frente. Delete as pessoas que vão te colocar pra baixo e só escute seu coração e as poucas pessoas que vão ficar realmente do seu lado. Dessa maneira, você consegue qualquer coisa!”.

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