25 anos sem Ayrton Senna.

Do Zigzagdoesporte.com.br por gazetaesportiva.com.br

á exatos 25 anos, o Brasil perdia seu maior piloto e um dos grandes ídolos nacionais. No dia primeiro de maio de 1994, Ayrton Senna não conseguiu contornar a fatídica curva Tamburello e se chocou violentamente no muro de concreto do autódromo de Ímola, na Itália, durante o GP de San Marino. Horas depois veio a notícia que ninguém gostaria de ouvir: a morte do brasileiro tricampeão de Fórmula 1.

Na ocasião, o Brasil sentiu muito a perda de Senna. Era uma época em que o país estava desacreditado por conta do que acontecia nas áreas política e econômica. Em meio ao conturbado momento interno, Ayrton percorria o mundo e levantava a bandeira de sua pátria a cada vitória, fazendo com que todos os brasileiros se sentissem vitoriosos de alguma forma.

Neste primeiro de maio de 2019, 25 anos após o dia que entristeceu o mundo e sobretudo o Brasil, a Gazeta Esportiva relembra a carreira de Ayrton Senna, um dos brasileiros que mais orgulhou seu povo.

Apaixonado pelo automobilismo desde criança

Senna começou no kart aos 13 anos (Foto: Acervo Memorial/ Instituto Ayrton Senna)

Ayrton Senna nasceu no dia 21 de março de 1960 na Maternidade de São Paulo, próximo ao centro da capital paulista. Criado no bairro Jardim São Paulo, na Zona Norte, logo se interessou pelo automobilismo. Incentivado por seu pai, o Sr. Milton, Senna ganhou o primeiro kart, que tinha motor de máquina de cortar grama, aos quatro anos. Nutrindo cada vez mais a paixão por guiar, aos nove já conduzia jipes nas estradas de terra das propriedades agrícolas dos pais.

A habilidade do garoto em dirigir impressionou a família, e, aos 13 anos, começou a participar de competições de kart. Em seu primeiro torneio oficial, realizado em Interlagos, Ayrton mostrou que seus parentes não tinham somente uma impressão ao vencer a corrida.

Apresentando um repertório incrível no kart, Senna foi campeão paulista (1976), brasileiro (1978, 1979 e 1980) e sul-americano (1977 e 1980), tudo isso antes dos 20 anos. O mundial, entretanto, bateu na trave, tanto em 1979 quanto em 1980, quando foi vice. Com os resultados, o brasileiro ganhou uma chance na Fórmula Ford 1600.

Sonho brevemente interrompido

Ayrton Senna segurando o troféu de vice-campeão mundial de Kart, em 1979. (Foto: Acervo Gazeta Press)

Em 1981, Ayrton começou sua trajetória vitoriosa na Europa ao vencer o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600 (12 vitórias em 20 corridas). Apesar do desempenho avassalador, Senna não teve o apoio de patrocinadores e decidiu abandonar o automobilismo, voltando ao Brasil para administrar a loja de material de construção de seu pai em São Paulo.

O tempo em seus país, no entanto, durou pouco. Logo no ano seguinte, retornou à Europa para ser campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000 (22 vitórias em 27 corridas). Subindo cada vez mais, Ayrton ganhou uma chance na Fórmula 3, onde levantou o caneco mais uma vez ao somar treze triunfos em 21 provas, sendo nove deles consecutivas.

Tido como um dos pilotos mais promissores do mundo, Senna dirigiu seu primeiro carro de Fórmula 1 em 1983, quando bateu o recorde da pista de Donington Park, até então, com a Williams.

A primeira oportunidade na Fórmula 1

A primeira equipe de Senna na F1 foi a Toleman (Foto: Jean-Pierre MULLER / AFP)

Destaque nas categorias inferiores, Ayrton foi cobiçado por Williams, McLaren, Brabham e Toleman para a temporada de 1984. Mas, por uma série de divergências, acabou ganhando um carro na última. Mesmo em uma equipe pequena e não tão competitiva, foi nesse ano que o mundo do automobilismo conheceu a capacidade de Senna em brilhar na chuva.

Ayrton viveu seu primeiro grande momento na principal categoria do automobilismo mundial no GP de Mônaco – prova que ele venceria seis vezes na carreira –, no qual, sob chuva torrencial, largou em 13º lugar e chegou em segundo nas estreitas ruas de Monte Carlo. Por conta do mau tempo, a prova encerrada na 31ª volta, momento em que Ayrton já ameaçava o líder Alain Prost.

Na Lotus, a vitória inicial e a consolidação

Pela Lotus, na Holanda, em 1985 (Foto: AFP)

Após uma rápida passagem na Toleman, Senna foi para Lotus em 1985. Em uma equipe de melhor performance, o brasileiro passou a ser chamado de ‘Rei das Poles’, largando na primeira posição em sete corridas. O carro, no entanto, sofria com a durabilidade, o que minou o desempenho de Ayrton, o quarto colocado no campeonato geral de pontos. Foi nessa temporada que ele conquistou sua primeira vitória na carreira, no GP de Portugal.

Senna começou 1986 com a esperança de um carro mais resistente. Após a segunda corrida, quando venceu o GP da Espanha em uma das provas mais emocionantes da história, o piloto liderou a competição pela primeira vez. O desempenho da sua Lotus, entretanto, perdeu força durante o ano e Ayrton acabou ficando em quarto de novo.

Ano novo, promessas novas. Com um novo patrocinador e o motor Honda, a Lotus prometeu a Ayrton um carro ainda mais competitivo. Depois de um início complicado, Senna engatou duas vitórias – Estados Unidos e Mônaco – e assumiu pela segunda vez na carreira a ponta da F1. Novamente, o brasileiro não conseguiu manter o ritmo por conta da equipe, mas terminou o campeonato em terceiro, brigando até as últimas corridas pelo título.

Primeiro título e começo de uma rivalidade

Ayrton Senna ao lado de Alain Prost em 1988, ano em que o brasileiro conseguiu seu primeiro título mundial (Foto: AFP)

Depois de algumas temporadas de amadurecimento na Lotus, Senna, enfim, foi para uma equipe de ponta. Correndo pela McLaren com um dos melhores carros da história da Fórmula 1, o brasileiro disputou o título, quase que de forma particular, com o companheiro Alain Prost.

Após sete vitórias do sul-americano contra seis do europeu em 14 GPs, Ayrton garantiu o caneco no GP do Japão em uma das corridas mais improváveis da história. Na oportunidade, ele teve problemas na largada e foi para último, mas passou o grid inteiro, inclusive Prost, para se sagrar campeão mundial.

Após um ano de puro domínio da McLaren, a competição de 1989 teve maior equilíbrio, mas a briga novamente ficou entre Senna e Prost. Ayrton ganhou seis provas contra quatro do rival, porém, uma desclassificação polêmica no Japão após o rival acertá-lo de propósito custou o bicampeonato ao brasileiro, que viu o francês erguer o caneco pela terceira vez ao final da acirrada da temporada.

O tri e o troco de Senna

Senna conquistou o tri em 1992 (Foto: Jean-Loup GAUTREAU e Pascal PAVANI / AFP)

Entre 1988 e 1989, Prost e Senna já haviam protagonizado uma grande rivalidade, com direito a fortes declarações de ambos. Mas, depois de perder o troféu no ano anterior, o brasileiro deu o troco em 1990, quando forçou uma batida para tirar o francês, já na Ferrari à época, da prova em Suzuka e ficar com o título, o seu segundo na categoria.

Com uma Ferrari fraca, Alain Prost sequer fez cócegas em Senna na temporada de 1991. A McLaren, por sua vez, seguiu dominante e Ayrton, sem dificuldades, conquistou o tri. Esse ano marcou a primeira vitória de Senna no Brasil. Aliado a isso, a perda da maioria das marchas de seu carro em Interlagos e o consequente desgaste físico acima do normal, fazendo com que ele sequer conseguisse comemorar o triunfo, fizeram desse GP um dos mais lembrados da carreira do brasileiro.

Depois de quatro temporadas brigando pelo título, Senna teve uma grande decepção em 1992. Sem conseguir tirar muito de sua McLaren repleta de problemas, o brasileiro voltou a terminar em quarto, uma posição atrás do estreante Michael Schumacher, com que teve alguns problemas.

Indeciso por conta da troca de motores da McLaren, que poderia diminuir ainda mais o desempenho do carro, Senna não assinou definitivamente com a equipe para a temporada 1993, competindo por vínculos para cada prova. Apesar do motor mais fraco em relação aos demais, o time inglês se destacou por um carro tecnológico, mas não bom o bastante para que Ayrton conquistasse mais um caneco. Apesar do cenário, o brasileiro foi vice-campeão e protagonizou a melhor volta de todos os tempos no GP da Europa, em Donington Park.

A transferência para a Williams

Senna se preparando para o GP do Brasil, em março de 1994, ano de sua morte (Foto: Antonio SCORZA / AFP)

Senna se ofereceu para integrar a Williams sem receber nada em 1993, pois seu desejo era correr pelo melhor carro da época, mas foi impedido por uma cláusula no contrato de Alain Prost que barrava o brasileiro de entrar para a equipe. A condição, no entanto, não se estenderia para o ano seguinte, o que fez o francês abandonar a categoria. Assim, em 1994, Ayrton assinou com a escuderia britânica.

Após duas corridas decepcionantes, nas quais Senna sofreu guiar um carro duro e acabou sequer completando, Senna chegou ao GP de San Marino determinado em dar a volta por cima. Fez a pole e liderava a prova no autódromo de Ímola até a sexta volta, quando perdeu o controle na curva Tamburello e se chocou violentamente contra o muro de concreto.

Senna foi removido de sua Williams completamente destroçada pela equipe médica, recebeu os primeiros socorros ainda na pista e foi levado de helicóptero ao Hospital Maggiore de Bolonha. A esperança de todo o mundo, sobretudo dos brasileiros, foi encerrada poucas horas depois com o anúncio da morte do brasileiro.

Para sempre na memória do brasileiro

Velório do piloto contou com a presença de Itamar Franco, então presidente do Brasil (Foto: Paulo WHITAKER / AFP)

A morte de Senna foi considerada uma tragédia nacional e o governo brasileiro decretou luto oficial de três dias, além de lhe conceder honras de chefe de Estado. Entre o trajeto do Aeroporto de Guarulhos a Assembleia Legislativa, o velório, que durou 24 horas, e o último deslocamento até o Cemitério do Morumbi, mais de duas milhões de pessoas fizeram questão de se despedir o brasileiro que ergueu a bandeira do país perante ao mundo, orgulhando seus compatriotas.

A BBC, prestigiada rede estatal britânica, elegeu Senna como o melhor piloto de Fórmula 1 da história com os seguintes dizeres:

Provavelmente nenhum piloto da Fórmula 1 tenha se dedicado mais ao esporte e dado mais de si mesmo em sua rígida busca pelo sucesso. Ele era uma força da natureza, uma combinação incrível de muito talento e, em alguns casos, uma determinação espantosa

Mesmo 25 anos após sua morte, Ayrton Senna segue como uma das grandes personalidades. Segundo pesquisa da Celeb Score do IBOPE Repucom, que representa a opinião de mais de 94 milhões de internautas brasileiros em todo país, a imagem do piloto é reconhecida por mais de 96% dos entrevistados, maior índice entre as dezenas de celebridades ligadas ao esporte. Assim, o país, que tanto se orgulhos do piloto, mantém viva a memória de um brasileiro vencedor.

*Especial para a Gazeta Esportiva

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