Adiamento da Olimpíada deixa até atletas dos EUA na penúria. Entenda o fato.

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Carlos Fiúza de Salvador para o Zigzagdoesporte.com.br direto da redação.

Em que pese ter sido a decisão mais acertada, dada a gravidade da pandemia de COVID-19, o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para o ano que vem trará profundos impactos orçamentários em comitês olímpicos pelo planeta – até mesmo entre as grandes potências.

É o que mostra uma reportagem do The New York Times, deste final de semana.

O texto relata como diversas confederações esportivas dos EUA já estão sofrendo com a ausência de um orçamento focado para o período de preparação que se estenderá entre a data inicialmente prevista e o dia em que a Pira Olímpica será efetivamente acesa no Japão.

Federações como a de ciclismo e canoagem já estão concedendo dispensas não-remuneradas a funcionários e até demitindo muitos de seus quadros.

O que torna a situação dos EUA ainda um pouco mais complicada é o fato de as confederações esportivas não receberem qualquer apoio governamental.

A maioria sobrevive de seus próprios anunciantes e acordos de patrocínio, doações e de uma verba repassada pelo Comitê Olímpico internacional (COI) ao USOPC, sigla em inglês que designa o Comitê Olímpico e Palralímpico Norte-Americano.

A verba do USOPC, por sua vez, provém do dinheiro que a NBC, empresa que detém a totalidade dos direitos de transmissão do evento para o país, paga ao COI..

A cada dois anos, US$ 200 milhões, ou cerca de R$ 1 bilhão, chegam aos cofres do comitê americano para serem divididos entre as confederações esportivas. Esse bilhão corresponde a 40% dos orçamento total do USOPC, percentual que altera totalmente a estrutura da entidade, uma vez cancelado.

E tem mais: a rede de televisão não precisa fazer a maior parte do aporte ao COI – aproximadamente US$ 1,2 bilhão, ou cerca de R$ 6 bilhões – até a iminência dos jogos. E, por sua vez, o repasse às confederações só e feito após a competição.

Por isso, o adiamento, na verdade, criará um vácuo de ainda maior na chegada do repasse, fazendo, inclusive, com que haja um encavalamento com as verbas da Olimpíada de Inverno, que acontecerá em 2022.

Muitos atletas nos EUA dependem das “bolsas” que suas confederações os repassam para preparação e também para pagar aluguel e alimentação. Sem esse auxílio, que totaliza US$ 13 milhões e também vem do comitê olímpico, já há muitos sem um horizonte financeiro de segurança.

O cancelamento de diversos eventos das modalidades, uma outra maneira de as confederações fazerem caixa, também vai cobrar o seu preço. Para a canoagem dos EUA, agora estaria acontecendo a época com mais eventos, por exemplo.

“A gente tem um caixa para dias chuvosos. Mas está caindo uma tempestade”, diz Rob DeMartini, diretor-geral da Confederação de Ciclismo dos EUA, que dispensou 70% do seu estafe de 40 pessoas.

Na última quinta-feira (2), Morane Kerek, diretora financeira do Comitê Norte-americano, declarou que a entidade ainda está calculando o tamanho de seu prejuízo com o cancelamento.

“E trata-se de uma avaliação em constante evolução, dado que não sabemos como a pandemia vai segur nos próximos meses”, afirmou ela.

Para completar, nem mesmo os atletas com patrocinadores de peso, como as empresas de calçado esportivo, estão seguros.

Recentemente, porta-vozes dessas empresas manifestaram estar esperando perdas grandes em suas receitas – que podem levar a renegociação de contratos.

Há um último recurso para o USOPC, que a entidade evita usar. Na Olimpíada de 1984, foi estabelecido um fundo a partir de doações para o desenvolvimento dos esporte olímpicos no país. Atualmente, há US$ 185 milhões nessa conta, que são usados com parcimônia e que não podem ser requisitados em forma de uma “bolada” só.

Enquanto uma previsão mais concreta acerca do ritmo de evolução da pandemia não aparece, o que resta a todos, atletas ou não, é mesmo a incerteza.

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