25/05/2024

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Ginasta usa morte trágica de amiga como motivação e mira Rio-2016

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Há exatos 367 dias, a ginasta Natália Gaudio vivia um drama. Quando voltava de uma boate, no Espírito Santo, o carro em que estava com a melhor amiga e com o namorado capotou.Eduarda Mello, de 17 anos, não resistiu e morreu. Luis Felipe Moroewsky, que dirigia o carro, ficou na UTI com diversas lesões, mas se recuperou bem e ainda namora a ginasta.

Um ano e dois dias depois, Natália, bicampeã brasileira de ginástica rítmica, passa por momento de superação. Recuperada do trauma, ela conquistou no último mês um grande resultado para a modalidade no Mundial, disputado em Kiev (UCR). Ficou no 35º lugar entre mais de 100 ginastas e se aproximou das 24 finalistas. Em termos de comparação, ela havia ficado em 103º lugar no último evento.

“Uma coisa dessa gravidade você nunca consegue esquecer. Mas com certeza eu levo com mais tranquilidade hoje em dia. Eu tento não lembrar para não ficar para baixo. Às vezes lembro não do acidente, mas da minha amiga, das coisas que vivemos juntas. Tenho que levar a vida em frente, seguir com força. Tenho que aceitar. Mas quando penso na Duda ela me dá mais força ainda para não desistir. Sei que ela ficaria orgulhosa por mim”, afirmou a ginasta.

A relação entre as duas ia muito além do esporte, mas hoje em dia o que mantém a ligação entre Natália e Eduarda é Monika Queiroz, mãe da ginasta que faleceu e técnica atual da bicampeã brasileira. Inevitavelmente, por vezes o assunto é a lembrança e a saudade. Mas ambas evitam se alongar muito no drama.

“A gente conversa sobre a Duda, sobre sonhos que temos com ela, sobre tudo que a gente sente. Mas não é um assunto que a gente fica tocando a todo momento, para não ficar remoendo. Temos que lembrar dos momentos bons”.

Embalada por seus últimos bons resultados e inspirada pela amiga, Natália alimenta o sonho de uma boa campanha nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Realista, sabe que as chances de um pódio são minúsculas. Por isso, foca um objetivo mais palpável: ficar entre as 15 melhores na disputa individual em casa.

“Seria um resultado excelente para o Brasil, seria marcante. Temos que ter pés no chão, trabalhar com a realidade. Não é impossível (um pódio), mas necessitaria de investimento, de ajuda do governo, e essa não é a nossa realidade. Por isso, sem esse apoio, não dá para pensar tão alto. Mas acho que ficar entre as 15 já seria um marco”, declarou.

Atualmente, a ginasta tem o patrocínio de uma empresa de saúde do Espírito Santo, o apoio do Bolsa-Atleta, do Governo Federal, e da Caixa, que patrocina a seleção brasileira. Por isso, teve de tirar do bolso mais de R$ 10 mil para um período de treinamento na Bulgária, no primeiro semestre, que serviu como intercâmbio e preparação para o Mundial.

“Eu paguei passagens, hospedagem e o pagamento de uma técnica búlgara. Foram 15 dias no exterior, tudo às minhas custas. Eu fui com mais três meninas.  Um atleta de alto nível necessita desses intercâmbios no mínimo duas vezes por ano. A gente faz uma vez e olhe lá, por causa do dinheiro”, lamenta a bicampeã.

Estudante de direito (trancou o curso neste semestre por conta de treinos e competições), Natália faz também trabalhos pontuais como modelo. Tem vontade, aliás, de seguir carreira, e diz que daria para conciliar caso fosse chamada por alguma agência. Ela atribui a vaidade à ginástica e  admite que, hoje, se considera uma mulher bonita.

“Eu sou vaidosa, a ginástica me ajuda muito. É um esporte feminino, tem sempre que estar maquiada, penteada. Beleza também conta ponto. Eu gosto de me arrumar para sair, me maquiar… Posso me considerar bonita porque tive uma infância muito feia (risos). Eu era muito magra, e sempre fui atrasada, meus hormônios demoraram a se desenvolver por causa do esporte. Atrasou meu ciclo de formação. Então, me cuidei para melhorar, ficar mais bonita”, completou a atleta.

E conforme se desenvolveu e amadureceu, o assédio também aumentou. Nas competições, gritos e elogios são comuns. Natália diz que em alguns momentos chega a ter vontade de rir, desde que o comentário seja feito com respeito.

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Natália Gaudio, bicampeã brasileira de ginástica rítmica, tem 20 anos e mira Olimpíada do Rio-2016

“Eu acho que a gente leva tudo na brincadeira. Se for uma cantada com respeito, a gente gosta, claro, acha legal. Mas se faltar com respeito, eu ignoro. Tem que saber dosar. Os homens mexem muito. A ginástica, por ter movimentos elásticos, acaba instigando os meninos, e a gente escuta bastante cantadas, brincadeiras (risos)”, finalizou.

 

Fonte: Luiz Paulo Montes Do UOL, em São Paulo

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