Estudo nos Jogos Olímpicos Rio 2016 mapeia lesões musculares mais comuns nos atletas; confiram.

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Giulio Antonelli por espn.com.br

Publicado na revista Radiology, o resultado do estudo traz dados de 1.015 exames de imagem realizados, com mais de 700 atletas diagnosticados com ao menos uma lesão, seja muscular ou óssea.

Poucos sabiam, mas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, um grande estudo internacional foi realizado com os atletas de alto nível das mais diversas modalidades do esporte.

Publicado na revista Radiology, o resultado do estudo traz dados de 1.015 exames de imagem realizados, com mais de 700 atletas diagnosticados com ao menos uma lesão, seja muscular ou óssea.

Receio da maioria dos atletas, lesionar-se durante os Jogos Olímpicos significa ver quatro anos de treinamentos e preparação física e mental indo embora. Por isso, o estudo buscou encontrar semelhanças em diferentes esportistas, de diferentes países e gêneros, seja em um movimento ou esporte. Ao todo, foram diagnosticadas 1.101 lesões entre os 11,2 mil atletas, de 206 países, de todas as modalidades esportivas.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o radiologista Abdalla Skaff, que trabalha no Alta Excelência Diagnóstica e fez parte do estudo, explicou por que as lesões são tão recorrentes durante as competições esportivas.

“Os atletas que fizeram os exames estavam em um nível de treinamento e preparo muito forte já pensando nos Jogos Olímpicos. Obviamente, vários atletas já trabalham em um nível de fadiga muscular, de tendão e articulação muito alto. Por isso, estão muito mais propensos a terem algum tipo de lesão, principalmente por estarem em uma competição em que ele tem que dar o melhor de si para alcançar o melhor desempenho possível.”

Os esportes que mais ocasionaram lesões musculares foram atletismo, futebol e levantamento de peso, enquanto ferimentos por estresse foram mais comuns no atletismo, vôlei, ginástica artística e esgrima. Já as fraturas foram mais identificadas no atletismo, hóquei na grama e ciclismo.

Esses foram alguns dos principais resultados trazidos pelo estudo “Sports Injuries at the Rio de Janeiro 2016 Summer Olympics” (em português, Lesões Esportivas nos Jogos Olimpícos de Verão do Rio 2016), que contou com a participação de dois médicos brasileiros. Os radiologistas Abdalla Skaf e Rômulo Domingues estiveram na companhia de pesquisadores dos Estados Unidos, Noruega, França e Alemanha. O Brasil também esteve representado no estudo pelo cirurgião ortopedista João Grangeiro, do Comitê Organizador do Rio 2016.

Os exames foram separados entre radiografias (304 – 30% do total de exames), ultrassonografias (104 – 10,2%) e ressonâncias magnéticas (605 – 59,8%). O último, de acordo com Dr. Skaff, foi responsável pelo diagnóstico de seis em cada dez lesões, por ser o com maior potencial em detectar lesões em tecidos moles, como músculos, tendões, articulações e ligamentos. “É um método de alta sensibilidade, essencial para diagnósticos extremamente precisos”.

A equipe brasileira passou por 22 exames durante o maior evento esportivo do mundo. De todos, 21 foram alterados, ou seja, foram realmente constatadas lesões nos atletas. O outro ficou apenas como uma suspeita.

Os esportistas que buscaram os serviços oferecidos pela clínica médica na Vila Olímpica estavam sentindo dores, por isso o alto número de lesões identificadas.

A identidade dos atletas foi preservada pelos pesquisadores.

Lesões musculares no atletismo e no futebol

O estudo mostrou que o atletismo e o futebol são as modalidades mais propensas a lesões musculares, sendo que 83,9% afetaram os membros inferiores, principalmente os músculos da coxa. As lesões musculares agudas atingiram 77 atletas, sendo que mais da metade (54,3%) foi de grau 2, enquanto as de grau 1 corresponderam a 30,9% e as de grau 3 representaram 11,1% dos casos diagnosticados. Considerando os nomes do atletismo, 64,1% das lesões foram diagnosticas em competidores de provas de curta distância.

As de 1º grau são lesões em fases mais iniciais, quase sem ruptura. As de 2º grau contêm uma maior extensão de estiramento, e as de 3º grau afetam diretamente o músculo, havendo uma ruptura completa ou quase completa.

Isso acontece, segundo o radiologista Abdalla, porque esse tipo de atividade “está nitidamente vinculado à explosão muscular que eles empenham durante a prova”. Independente do alongamento que o atleta passe antes de iniciar a competição, “a potência de força é muito alta, o que resulta em uma maior tendência de lesões musculares”.

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