17/09/2021

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Com 21 nomes e meta olímpica, seleção de tiro é convocada para o Pan de Lima. Tem baiano na lista; confira.

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Carlos Fiúza de Salvador para o Zigzagdoesporte.com.br por COB.

Os dois primeiros colocados de cada prova individual no megaevento continental carimbam o passaporte para Tóquio 2020.

Os dois primeiros colocados de cada prova individual no megaevento continental carimbam o passaporte para Tóquio 2020.

Os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, entre os dias 26 de julho e 11 de agosto, terão a missão de distribuir vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 em 23 modalidades. É o caso do tiro esportivo, em que os dois primeiros colocados em cada uma das provas individuais – são 12, ao todo – asseguram um lugar no Japão. Assim, contando com nomes de peso no cenário internacional, a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) divulgou a relação dos 21 convocados para o evento continental .

Aos 49 anos, com quatro participações em Jogos Pan-Americanos e medalhas em todas elas (ouro em Toronto 2015, duas pratas em Mar del Plata 1995, outra prata no Rio 2007 e dois bronzes em Guadalajara 2011), Júlio Almeida é o símbolo da experiência da seleção brasileira que embarca para Lima. Na pistola, o carioca soma ainda cinco medalhas em mundiais e duas participações olímpicas, em Pequim 2008 e no Rio 2016. Agora, todos os planos são voltados para Tóquio, quando tentará, pela última vez, realizar o sonho de subir ao pódio do maior evento esportivo do mundo.

“Vou para Lima buscar a vaga olímpica. Este ano serão duas, antes era uma só. Então estou bem motivado para buscar uma e me classificar para os Jogos”, conta Júlio. “Será minha terceira e última Olimpíada. Completo 50 anos este ano e dificilmente vou seguir para outro ciclo olímpico”, acrescenta o coronel da Força Aérea Brasileira (FAB) que, depois de não conseguir avançar para a final no Rio 2016, decidiu ir para a reserva do serviço militar para poder se dedicar aos treinos.

Júlio Almeida encara o Pan como degrau para chegar ao sonho olímpico pela última vez. Foto: Miriam Jeske/rededoesporte.gov.br

“No fim do Rio, achei que não fui tão bem. Não estava tão bem preparado como poderia, não consegui chegar no meu ápice e ainda estava na ativa”, relembra. “Fui para a reserva para treinar. Cheguei no posto máximo, de coronel, mas larguei de continuar na carreira para lutar pelo sonho de uma medalha olímpica. Sei que a possibilidade é pequena, mas é pequena para todos. Vou apostar todas as minhas chances para ver se consigo conquistar essa medalha. Meu sonho é grande”, avisa. Depois de dois anos afastado do serviço, Júlio retornou à FAB no mês passado, contudo, para poder disputar os Jogos Mundiais Militares em outubro, na China.

Neste ano, Júlio Almeida já disputou três etapas da Copa do Mundo – Índia, China e Alemanha – além de torneios na Polônia e na Holanda. Ainda assim, por garantir vaga direta para Tóquio, ele encara o Pan de Lima como a competição mais importante do ano. “Os americanos são bons, e tem também um peruano e um menino da Guatemala, além de outros que podem aparecer, como os cubanos. Vamos ver o que vai acontecer”, comenta. “A final é sempre muito nervosa. Acaba ganhando quem consegue manter a tranquilidade. Então é trabalhar forte o emocional nesse período”, acredita.

A preparação do brasileiro hoje é feita na Escola Preparatória de Cadetes do Exército em Campinas (SP). Ali ele treina por cerca de três horas pela manhã, antes de seguir para a preparação física, com musculação e corrida. Segundo ele, os treinos ficam mais intensos quando as competições se aproximam. Depois de Lima, Júlio ainda prevê disputar uma etapa de Copa do Mundo no Rio de Janeiro, em agosto – e que também distribuirá vagas diretas para os Jogos Olímpicos –, e uma Copa Sul-Americana, no fim de setembro, na Argentina, além dos Jogos Mundiais Militares.

Janice Teixeira adiou a aposentadoria. Foto: Carlos Costa/Divulgação

Aposentadoria adiada

Também rumo à quinta participação em Jogos Pan-Americanos, Janice Teixeira, de 57 anos, chega a Lima depois de conquistar a vaga durante o Campeonato das Américas, no fim do ano passado. A classificação fez com que a atleta da fossa olímpica mudasse os planos. “É engraçado porque meu objetivo era chegar em uma Olimpíada, e cheguei no Rio. A intenção era, depois disso, encerrar a carreira porque já sou quase atleta da terceira idade”, brinca a gaúcha, 21ª colocada no Rio 2016. “Mas, quando acabou, não teve jeito. O esporte está na veia. Conquistei a vaga e não posso dizer que não vou fazer e batalhar”, acrescenta.

Bronze no Pan de Santo Domingo, em 2003, Janice já sente a aproximação de mais uma edição. “Hoje de manhã fui treinar e foi um dia especial. Fiz um treino bom e veio na minha cabeça aquela garra do Pan chegando. Vou com tudo de novo. Fazia tempo que não sentia isso”, conta, animada, a atleta que treina nas instalações do Centro Nacional de Tiro Esportivo em Deodoro, no Rio de Janeiro, palco dos Jogos Olímpicos.

Em Lima, Janice sabe que o caminho não deve ser fácil. “O nível é sempre alto. Diferentemente de outros esportes, no tiro não há nomes cotados, todo mundo chega no mesmo nível. No dia, leva a cabeça melhor. Obviamente temos os Estados Unidos pela frente, que têm um trabalho forte com os atletas”, analisa a atiradora, sem desanimar. “Defender o Brasil para mim é sempre uma honra, e essa honra me faz dar o sangue”, promete.

Apesar dos nomes de peso na Seleção, o atual campeão dos Jogos Pan-Americanos e prata no Rio 2016, Felipe Wu, ficou de fora da lista de convocados. O atleta não disputou a primeira classificatória, nos Jogos Sul-Americanos do ano passado, e não conseguiu confirmar a vaga no Campeonato das Américas.

Investimento

Dos 21 convocados para os Jogos Pan-Americanos de Lima no tiro esportivo, 20 recebem o apoio da Bolsa Atleta do governo federal, em um investimento anual de R$ 600 mil. Apenas Jefferson Portela não conta hoje com o benefício. Além disso, Emerson Duarte e Júlio Almeida fazem parte da categoria mais alta do programa, a Bolsa Pódio.

“Esse recurso é imprescindível, é o único apoio real que tenho para treinar no Brasil”, defende Júlio. “Hoje praticamente não tenho gastos no esporte. A Bolsa Atleta me permite isso”, completa. Ao todo, a modalidade conta atualmente com 307 apoiados no Brasil, um aporte de R$ 3,9 milhões ao ano. Já na Bolsa Pódio, são três atiradores, em um investimento de R$ 288 mil ao ano.

Confira a Seleção Brasileira convocada para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2019:

Tiro ao Prato
Danielle Maron Gedeon
Fernando Meneghel Silveira Mello
Georgia Furquim Bastos
Janice Gil Teixeira
José Carlos Vendruscolo Júnior
Renato Portela
Roberto Schmits

Pistola
Ana Luiza Ferrão Souza Lima
Émerson Duarte
Julio Antonio de Souza e Almeida
Philipe Chateaubrian Neves Freitas Severo
Vladimir Silveira
Rachel Maria de Castro da Silveira
Thaís Carvalho Moura

Carabina
Cassio Cesar de Mello Rippel
Geovana Meyer
Jefferson de Souza Lima Portela (O baiano)**
Leonardo Vagner do Nascimento Moreira
Roberta Tesch
Rosane Sibele Budag
Simone Koch

Ana Cláudia Felizola – Rededoesporte.gov.br

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