01/08/2021

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Noticiario da final na NBA 2020. Veja tudo que precisa saber.

9 min read

Carlos Fiúza de Salvador para o Zigzagdoesporte.com.br direto da redação.

Como o Miami Heat usou a cultura vencedora para se reconstruir e voltar ao topo.

Com LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh, o Miami Heat formou um time incrível no começo dos anos 2010. A equipe ficou junta por quatro anos e foi para quatro Finais da NBA, vencendo duas. Agora, após 5 anos longe do topo, Erik Spoelstra leva um elenco completamente reformulado para a grande decisão.

Como isso aconteceu? Muito se fala na ‘Heat Culture’, a cultura do Miami Heat. Uma cultura vencedora que mais parece algo no plano das ideias, completamente subjetivo. Entretanto, é real.

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‘Uma dinastia pela janela’: o começo e o fim de LeBron James no Miami Heat

Ala fez história e foi bicampeão ma Florida

Pat Riley, presidente da franquia, é um vencedor nato, gosta muito disso e sabe o caminho das pedras. Já foi campeão como jogador na década de 70, como técnico nos anos 80 e 2000 e também chegou ao topo como presidente em 2012 e 2013. E por isso, nunca abraçou a mentalidade de ‘tanking’ (ir mal para ter boas escolhas de draft).

Após o último título, em 2013, o Heat perdeu as Finais em 2014 para os Spurs e depois perdeu LeBron James. Bosh, com graves problemas de saúde, teve mais duas temporadas em alto nível (quando conseguia jogar) e nunca mais entrou em quadra.

Já naquela primeira temporada sem o trio, a franquia foi atrás de um novo craque: Goran Dragic, que era o atual Most Improved Player (jogador que mais evoluiu) da NBA. Para tê-lo, junto com seu irmão Zoran, Miami mandou embora Norris Cole, Danny Granger, Justin Hamilton, Shawne Williams e mais duas escolhas de draft. Durante muito tempo, pareceu uma troca ‘cara’, mas Dragic virou o armador experiente que ditou o ritmo da equipe nesses playoffs e fez todas as expectativas serem superadas.

Nesses cinco anos até chegar na atual temporada, Miami não foi aos playoffs três vezes, mas sempre disputou a última vaga até o fim. Sempre quis vencer. A jogada de mestre, então, foi aproveitar essas escolhas de draft de loteria (apesar de nunca terem uma superior à 10ª) e construir uma nova equipe, competitiva e vencedora.

Em 2015, com a 10ª escolha, pegaram Justise Winslow, de Duke. Após gerar muitas dúvidas sobre em que posição rendia melhor dentro de quadra, o garoto foi trocado no meio da temporada atual, e é por isso que, apesar de não estar no elenco atual, essa chegada às Finais passa por ele. Nessa negociação, Winslow e DIon Waiter foram para Memphis, mas Jae Crowder, Andre Iguodala e Solomon Hill chegaram em Miami. Os dois primeiros são fundamentais na rotação atual e trazem a experiência e o impacto defensivo que o time tanto precisava para chegar longe. E chegaram.

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Técnico do Heat, Spoelstra relembra jantar que fechou contratação de Butler: ‘Ele disse que estava dentro depois de cinco minutos’

‘Nem apresentamos o projeto’, disse o treinador do Heat sobre o ala-armador

Naquele mesmo draft, com a 40ª escolha, o selecionado foi Josh Richardson, de Tennessee. O ala-armador cresceu muito sob a asa de Dwyane Wade e se tornou um jogador muito promissor. Contribuiu bastante para o time durante quatro anos, e na última temporada, foi a peça perfeita para a troca que trouxe o astro da equipe finalista: Jimmy Butler, que durante grande parte de sua carreira foi rotulado como ‘laranja podre’ e em um ano com esse novo grupo mostrou que é um grande líder dentro e fora de quadra.

Os outros dois anos sem playoffs geraram mais duas escolhas que mudaram o rumo da franquia, selecionando duas joias de Kentucky. Em 2017, em 14º, Bam Adebayo. Em 2019, em 13º, Tyler Herro. Se seus drafts fossem ‘refeitos’ hoje, provavelmente os dois estariam em seus respectivos Top-3. Mas Miami viu o talento e potencial nos dois mesmo quando muitos outros times não viram.

Falando nisso, o Heat mostrou esse ‘olho clínico’ em mais dois casos muito mais incríveis. Kendrick Nunn, um dos melhores calouros da atual temporada, e Duncan Robinson, o melhor arremessador de três pontos desses playoffs, nunca foram draftados. 60 escolhas passaram a dupla. Com ambos ‘dando sopa’, Miami deu a chance que eles precisavam.

Robinson, uma das grandes histórias desses playoffs, passou pela equipe de desenvolvimento e teve suas primeiras oportunidades na última temporada, mas foram poucas: 15 jogos, só 1 como titular. Nesse ano, foi titular em 68 das 73 partidas que disputou e virou o homem de confiança da equipe no arremesso longo. Há três anos, ele já estava quase aceitando que não seria jogador de basquete e considerava entrar na mídia esportiva. Agora, é titular de um time finalista da NBA.

Como ficou claro, o Miami Heat não gosta de perder. E é por isso que, mesmo quando perdeu, logo voltou a vencer.

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Butler fala sobre expectativa para Heat x Lakers nas Finais da NBA: ‘Se quiser ganhar, precisa passar por LeBron’

Ala-armador de Miami comentou duelo contra Los Angeles na decisão

Nesse curto ciclo longe das Finais, o time foi aos playoffs, competiu em alto nível e viu o fim da carreira do maior jogador de sua história, Dwyane Wade (apesar do craque ter ficado fora por uma temporada e meia, defendendo Bulls e Cavs). Em seu último ano, Wade transformou a temporada do Heat em uma turnê nostálgica, que presenteou seus torcedores com últimas inesquecíveis memórias.

Wade foi embora com três títulos e um legado incomparável. Em seu primeiro ano fora, viu uma equipe filha do que ele fez dentro de quadra voltar às Finais.

Bicho-papão do Oeste se apoia em LeBron e Anthony Davis para conquistar seu 17º título e se igualar ao rival histórico Boston Celtics; Heat tenta façanha que não acontece na NBA desde 1995.

O Los Angeles Lakers amassou seus adversários nesses playoffs da NBA e chega à grande final da temporada 2019/20 faminto por um título que não vem desde 2010. A equipe californiana derrubou Blazers, Rockets e Nuggets com três inapeláveis 4 a 1, e, no embalo dos craques LeBron James e Anthony Davis, vai em busca de seu 17º título, que pode ter sabor especial. Se a festa for roxa e amarela, o time californiano iguala o rival histórico Boston Celtics em número de conquistas.

O Miami Heat correu por fora, surpreendeu e chega à final com a pompa de ser o time que derrubou o Milwaukee Bucks do MVP Giannis Antetokounmpo. Além disso, desbancou o talentoso time do Boston Celtics. Se completar uma terceira façanha e chocar a NBA ao bater os Lakers, o Heat vai ser o primeiro time desde os Rockets de 1995 a ganhar um título tendo se classificado ao mata-mata em 5º ou em posição inferior.

Agenda da série

(1º Oeste) Lakers 0 x 0 Heat (5º Leste)
Jogo 1: Quarta-feira, 30/9, Lakers x Heat, 22h
Jogo 2: Sexta-feira, 2/10, Lakers x Heat, 22h
Jogo 3: Domingo, 4/10, Heat x Lakers, 20h30
Jogo 4: Terça, 6/10, Heat x Lakers, 22h
Jogo 5*: Sexta, 9/10, Lakers x Heat, 22h
Jogo 6*: Domingo, 11/10, Heat x Lakers, 20h30
Jogo 7*: Terça, 13/10, Lakers x Heat, 22h

*Se necessário

Quem é quem na grande final

O Los Angeles Lakers passou com tranquilidade por Blazers, Rockets e Nuggets. Nas três séries, despachou o adversário em apenas cinco jogos. Além de ter dois superastros como LeBron James e Anthony Davis, o time é muito balanceado. Tanto na defesa quando no ataque, está entre os cinco times mais eficientes dos 16 que disputaram os playoffs. A equipe tem um rotação de garrafão imponente, e no perímetro tem defensores competentes, como Caldwell-Pope, Alex Caruso e Danny Green.

Se no Oeste o Denver Nuggets foi a grande sensação dos playoffs ao conseguir duas viradas saindo de um 3 a 1, no Leste quem fez barulho foi o Miami Heat. O time da Flórida desbancou o poderoso Milwaukee Bucks do MVP Giannis Antetokounmpo e derrubou o Boston Celtics para chegar à final. Isso graças a um forte jogo coletivo em que tanto Butler quanto Adebayo, Dragic e Herro são capazes de mudar uma partida. O volume nos arremessos de três e a boa transição defensiva são outros trunfos do time.

Time base dos Lakers:
LeBron James, Kentavious Caldwell-Pope, Danny Green, Markieff Morris e Anthony Davis.

Time base do Heat:
Goran Dragic, Duncan Robinson, Jimmy Butler, Jae Crowder, Bam Adebayo.

Os números de Lakers e Heat nos playoffs

L.A. Lakers Miami Heat
Eficiência ofensiva 115.6 (2º) 113.4 (4º)
Eficiência defensiva 107.8 (5º) 108.9 (7º)
FG% 49.8 (1º) 45.9 (7º)
3P% 35.5 (12º) 35.7 (11º)
Rebotes 43.7 (8º) 42.9 (11º)
Assistências 25.9 (1º) 25.1 (3º)
Roubadas 8.5 (3º) 7.5 (4º)
Tocos 5.7 (1º) 4.1 (8º)

Retrospecto na temporada regular

Nas duas vezes em que os times se enfrentaram na temporada regular, o Los Angeles Lakers venceu ambas. No dia 8 de novembro, grande exibição defensiva e vitória por 90 a 85. No dia 13 de dezembro, novo triunfo dos Lakers, por 113 a 110. Vale destacar que como os times nunca se enfrentaram em playoffs, essa é uma final inédita na NBA.

Como eles chegaram à final?

Los Angeles Lakers
Depois de ter a melhor campanha do Oeste na temporada regular, o L.A. Lakers venceu os três duelos de playoffs por 4 a 1 (contra Blazers, Rockets e Nuggets).

Miami Heat
O time liderado por Jimmy Butler foi apenas a 5ª melhor campanha do Leste. Nos playoffs, varreu os Pacers por 4 a 0, venceu os Bucks por 4 a 1, e eliminou os Celtics, 4 a 2.

Duelo que promete

Não é tarefa simples apontar o grande duelo individual da final. Bam Adebayo e Anthony Davis prometem fazer tremer o garrafão do primeiro ao último quarto da série. LeBron James e Jimmy Butler, no entanto, concentrarão os holofotes não só por serem muito talentosos, mas também por seus papéis de liderança.

LeBron James e Jimmy Butler - NBA — Foto: Getty Images

LeBron James e Jimmy Butler – NBA — Foto: Getty Images

No chamado “mano a mano”, LeBron pode até levar vantagem no ataque, mas ao ser defendido por Butler, encontrará um adversário que não teme ninguém, é atrevido e muito forte mentalmente. Nos momentos decisivos, quem terá a cabeça mais fria?

LeBron James e Jimmy Butler – Playoffs 2020

Pontos / FG% Rebotes Assistências Tocos Eficiência
LeBron James 26.7 / 54.7% 10.3 8.9 1.0 29.6
Jimmy Butler 20.7 / 45.7% 5.7 4.5 0.6 21.1

👀💡 Fatores para ficar de olho 👀💡

O Heat e a missão de segurar LeBron e Davis
LeBron James e Anthony Davis combinam para uma média de 55.5 pontos por jogo nos playoffs. King James, não tenhamos dúvida, vai manter seu jogo em alto nível. O craque tem média de 28.2 pontos, 10.0 rebotes, 7.7 assistências e 1.8 roubadas por jogo em finais.

Esse será um grande desafio para o Heat e sua defesa por zona. Adebayo, que evoluiu defensivamente no mata-mata, terá um papel crucial na série ao tentar parar Davis, cestinha dos Lakers nos playoffs com 28.8 pontos por jogo.

Lakers e a missão de driblar a transição defensiva do Heat
O Los Angeles Lakers brilha quando tem a oportunidade de jogar em transição. É o segundo time dos playoffs em média de pontos nessa situação, 13.8 por partida. Para alívio do time da Flórida, o Heat foi um dos melhores times dos playoffs em transição defensiva, e se valeu muito disso para derrubar o Milwaukee Bucks.

LeBron James no jogo 2 contra os Blazers — Foto: Kevin C. Cox/Getty Images

LeBron James no jogo 2 contra os Blazers — Foto: Kevin C. Cox/Getty Images

Os vacilos do Heat no fim
Nesses playoffs, de maneira geral o Heat se mostrou um time que decolou nos dois primeiros quartos, mas não soube manter o nível nos dois quartos finais. Um exemplo dessa tendência foi o jogo cinco contra os Celtics, quando o time da Flórida levou 41 pontos só no terceiro quarto. Contra os Lakers, será fundamental começar e terminar bem as partidas.

O rendimento de Tyler Herro será decisivo para o Heat
O jovem de 20 anos é o indiscutível “x-factor” da série. No jogo quatro da final do Leste contra os Celtics, Herro mostrou todo seu potencial ao fazer 37 pontos. Só que contra os Lakers na temporada regular ele teve médias de apenas 7.0 pontos com 25% de aproveitamento dos arremessos e 18% nas bolas de três.

Na final, entrará em quadra um jogador bem mais rodado em relação ao da fase regular. Caso consiga jogar metade do que jogou no quarto encontro contra os Celtics e de forma consistente, Herro pode dar ao seu time alguma chance de conquistar o título.

Tyler Herro Miami Heat — Foto: Kim Klement-USA TODAY Sports

Tyler Herro Miami Heat — Foto: Kim Klement-USA TODAY Sports

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