Saco de lixo capota barco, aviões atrapalham e críticas: teste de vela no Rio deixa dúvidas; confira.
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Tiago Leme, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br.

O mais polêmico dos eventos-teste para a Olimpíada do Rio de Janeiro terminou neste fim de semana e deixou muitas dúvidas para os Jogos do ano que vem. Com a poluição da Baía de Guanabara em foco, a competição de vela foi disputada sob preocupação constante de que a qualidade da água pudesse causar doenças nos atletas e que o lixo flutuante pudesse prejudicar os velejadores. E problemas aconteceram, incluindo o capotamento de um barco e até mesmo aviões atrapalhando as provas.
A situação da Baía gerou críticas do diretor-executivo da Federação Internacional do Vela (Isaf), Peter Sowrey, que ameaçou retirar a modalidade do local na Olimpíada de 2016, levando para o mar aberto. Em entrevista concedida à Associated Press, o dirigente fez críticas e foi taxativo: “Se não conseguirmos atingir um bom nível, teremos que mudar a competição para fora, para as águas abertas do Atlântico”.
Apesar de ter considerado bom o funcionamento geral do evento-teste, Sowrey ficou insatisfeito com alguns pontos. Entre eles está o pedido feito pela Federação para que os testes bacteriológicos fossem realizados diáriamente durante a competição, o que não foi atendido pelos organizadores.
Por enquanto, nenhum caso de contaminação a algum velejador por causa da água da Baía de Guanabara foi comprovado neste evento. Apesar de o sul-coreano Wonwoo Cho ter passado mal, ido ao hospital e reclamado, a Isaf negou que tenha tido qualquer relação com a poluição.
Além disso, mesmo com 20 ecobarcos e nove ecobarreiras, nem todo o lixo flutuante pôde ser contido, e uma regata acabou tendo que mudar de raia por causa da situação ruim da água perto da Ponte Rio-Niterói. Na quinta-feira, um saco plástico de lixo acabou prendendo no leme e causando o capotamento do barco brasileiro de Isabel Swan e Samuel Albrecht, da classe Nacra 17, que disputavam uma regata na raia da ilha Pai, fora da Baía de Guanabara.
Outro fator curioso que atrapalhou algumas provas foram os aviões que aterrissavam no aeroporto Santos Dumont, que fica a menos de um quilômetro da Marina da Glória e bem perto de algumas raias. O vento causado pelo avião no momento do pouso foi suficiente para influenciar diretamente na regata da classe RS:X, que são pranchas mais leves, chegando a derrubar alguns atletas e fazendo outros ganharem mais velocidade.
O fechamento do espaço aéreo, aliás, é outro tema polêmico para os Jogos Olímpicos, por causa da transmissão das provas que precisa ser feita por helicópteros. A Federação Internacional de Vela pediu para que isso já fosse realizado durante o evento-teste, mas o Governo Federal do Brasil não autorizou.
Para a Olimpíada do próximo ano, no entanto, os aviões não poderão decolar ou pousar no aeroporto Santos Dumont durante um determinado período durante o dia, e as dicussões com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) agora tentam definir por quantas horas o espaço aéreo ficará fechado. Em 2016, as regatas acontecerão entre os dias 8 e 18 de agosto, e vários voos devem ser desviados para o aeroporto internacional do Galeão.
Vale lembrar que as disputas de vela também obrigam que o porto fique fechado por várias horas, das 11h até o anoitecer no evento desta última semana, para evitar que os navios entrem no caminho dos atletas.
