Jéssica Andrade revela segredo de campeã e Gilliard Paraná confessa: ‘Poucos técnicos são felizes como eu’. Veja.

Do Zigzagdoesporte.com.br com espn.com.br por Mayara Munhos.

A mais nova detentora do cinturão dos pesos palha do UFC, Jéssica Andrade, já tem 15 lutas no cartel do Ultimate. Faixa marrom de jiu-jitsu, ‘Bate-Estaca’ é de fato, muito forte, em pé ou no chão, e sua aparência física não nega. Testada no doping 25 vezes e comprovadamente pura, ela acredita que o segredo do sucesso no MMA é muito diferente do que outras pessoas podem pensar: treinar com mulheres.

Integrante da equipe Paraná Vale-Tudo (PRVT) e peça principal da PRVT Girls, Jéssica faz parte da maior equipe de MMA feminino do Brasil e acredita que o fato de ter a oportunidade de treinar apenas entre mulheres é o grande diferencial para sua carreira. “Treinando com mulheres, ainda que mais pesadas que eu, consigo colocar a mesma força de contundência de socos, mesmo que ela seja mais forte, consigo movimentar”, comentou a campeã mundial para o espnW.com.br.

Segundo Gilliard Paraná, fundador do time, a equipe feminina tem entre 15 e 20 profissionais. “É muito difícil ter tantas meninas profissionais treinando. Mas há muito tempo estamos no UFC com a Jéssica e ela sempre se destacou. Coloco mulheres para lutar desde 2005 e a primeira foi a Luana Teixeira”, contou o técnico para o espnW.com.br, também destacando o nome de Luana.

“Aprendi muito com ela. Ela foi a primeira PRVT Girl lutando, era namorada de um aluno meu e, com ela, aprendi a treinar paciência, porque com os homens, quando eu ficava bravo, batia neles e mandava embora. Com mulher é diferente”, confessou.

A ‘CASINHA’

“Quando a gente treina com um homem, nunca vamos dar nosso 100%. Com outras mulheres, você sabe que o soco vem forte, e você não vai se machucar como se fosse um homem te batendo”, disse Jéssica, que finalizou, afirmando que o diferencial para ela, são suas colegas de treino: “Foi o grande marco da minha carreira e me tornou a campeã que sou hoje”. Gilliard contou ter percebido a necessidade de um treino específico para mulheres quando viu Jéssica chegar ao UFC. Também professor de Priscila “Pedrita”, ele afirma sempre ter apostado no MMA feminino e está colhendo os resultados hoje.

Tamanha é a procura das mulheres pelo MMA profissional, que o fundador da equipe comprou uma casa para abriga-las. A ideia surgiu para as atletas que quisessem sobreviver da luta, pudessem sair de suas casas, se focarem nos treinos e não se frustrarem caso vissem que não era aquilo que queriam.

“Há cerca de dois anos, vi a necessidade das atletas que treinam com a gente não ficarem mais na academia e não precisarem largar tudo onde eles moram para alugar uma casa, sem saber se vão suportar a guerra que é trabalhar da luta e passar necessidade. Por isso, decidi comprar uma casa para hospedar algumas atletas. Infelizmente, não dá para hospedar todas”, dividiu Gilliard.

Mas ele não recruta atletas e a “casinha”, como chamam as meninas, é exclusiva para elas. Lá, já passaram Pedrita, peso-mosca do UFC, Mariana Morais, que já chegou a disputar o cinturão do KSW, Jéssica Delboni, que luta o Invicta FC e Carol Rosa que, segundo ele, é a próxima aposta a fechar com o UFC. E o critério para morar na ‘casinha’ é simples: “Alojo elas conforme arrumo espaço, conforme vejo que são de personalidade razoável para não ter briga entre elas… Já chegaram a morar 10 lá”, disse.

E parece que o mestre Paraná tem realmente muito cuidado com suas atletas. Em entrevista ao espnW, em março desse ano, Pedrita já havia destacado a importância do professor em sua vida quando pensou em desistir da carreira. “Eu tinha ligado para ele [Gilliard] e dito que não faria mais parte da equipe. Não demorou uma hora, ele chegou com o carro na porta da casa da minha mãe e falou: ‘Só saio daqui quando tiver Pedrita de volta’. Ele é uma benção na minha vida, porque eu ia desistir de tudo de novo”.

Não à toa, foi ele a primeira pessoa que Jéssica abraçou ao vencer Rose Namajunas no UFC 237. “Ele foi o grande apoiador, a pessoa que acreditou em mim, no meu potencial e quando ninguém queria, tinha esperança… me apoiou e esteve do meu lado. É meu pai, meu amigo, meu irmão, meu confidente, tudo para mim, de verdade. Ele é o cara que me ensinou ser quem eu sou e, dentro do octógono, fazer o que eu faço”, disse Jéssica.

EMOÇÃO DEPOIS DA LUTA

Gilliard ressalta a felicidade e justifica às lágrimas ao ter recebido aquele abraço da campeã. Faixa preta de jiu-jitsu, mestre de muay thai e responsável por ensinar todas as artes marciais para seus alunos, o professor contou que sempre prega na academia pelo jeito antigo de dar aula e procura sempre preservar a essência ‘old school’ das artes marciais. “Independentemente de você estar no UFC ou em qualquer outro evento, não existe prioridade dentro da academia. O faixa preta é sempre na frente. Eles entendem muito isso”, disse e completou: “Principalmente a Jéssica, que ainda não é faixa preta de nenhuma modalidade, e isso me dá orgulho”.

Ele disse que muito surpreendeu a reação da peso palha por estar no topo do mundo e não ter esquecido suas raízes. “Ela continua a mesma pessoa e segue a cartilha que a ensino há 7 anos, isso não tem preço. É uma emoção tremenda, chorei para caramba. Todos os professores do mundo estão em choque, todos eles queriam ter o que eu tive naquele dia. Você vê pouco isso”, falou.

“Poucos técnicos são felizes como eu sou com meus discípulos. É um discípulo que treino sozinho, converso, sou psicólogo… A postura foi algo que ensinei a vida toda, ela me dá orgulho por isso”, confessou o professor.

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