19/04/2024

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Fora do Paulista, Lomba mira Copa do Brasil e relembra ‘caso Eliza Samudio’; confira.

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Do Zigzagdoesporte.com.br por ESPN.com.br com agência Gazeta Press.

GAZETA PRESS

Goleiro foi titular por 4 anos do Bahia e agora está na Ponte Preta
Goleiro foi titular por 4 anos do Bahia e agora está na Ponte Preta

Após ter a transferência para a Ponte Preta frustrada em 2011, quando ainda defendia o Flamengo, Marcelo Lomba se aproxima cada vez mais da oportunidade de defender o time campineiro regularmente. Ao menos, o goleiro espera que os contratempos tenham chegado ao fim.

Contratado pelo clube em janeiro após quatro temporadas no Bahia, o atleta caiu de mau jeito durante um treinamento no mês seguinte e sofreu uma lesão de refratura de sexto grau na costela, apenas uma semana depois de sua primeira partida, contra o Marília.

Com a fratura, o clube foi obrigado a retirar a inscrição do arqueiro no estadual, uma vez que o torneio não permite mais que 28 nomes por equipe, e agilizou a ficha do substituto João Carlos, que estava no Boa Esporte. Como já foi cortado da competição, o atleta não pode figurar na lista de quatro trocas que o clube pode realizar até o dia 10 de abril, para a segunda fase do estadual.

Ainda assim, cada vez mais perto de sua (re)estreia, que pode acontecer já na segunda fase da Copa do Brasil (caso a Ponte se classifique diante do Vilhena, nesta quinta-feira, às 19h30, no Moisés Lucarelli), Lomba destacou o nível de competitividade do Campeonato Paulista, mesmo após ser frustrado por este duas vezes na carreira.

“É o estadual mais bem organizado e estruturado do país”, elogiou em entrevista com a Gazeta Esportiva.

Além disso, Marcelo aproveitou para comentar as críticas proferidas pela torcida do Bahia em 2014, que parece tratá-lo como um dos principais culpados pela campanha do rebaixamento para a Série B do Brasileirão, e falou sobre a inevitável crise que assolou o Flamengo em 2010, com a explosão do “caso Eliza Samudio” e a suspeita que rondava o goleiro Bruno. Na ocasião, o titular da posição foi condenado pela morte da modelo Eliza Samudio, mãe de seu filho, pela qual cumpre pena de 22 anos e três meses de recusão desde julho de 2010.

Apesar das dificuldades trazidas pelo caso, Marcelo Lomba ganhou a titularidade absoluta sob as traves do Fla em um dos momentos mais nefastos da história flamenguista, que quase resultou em rebaixamento rubro-negro para a Série B. “Foi realmente um choque para todos nós”, revelou, com exclusividade.

Reportagem: Qual é a sua estimativa de retorno aos gramados?

Marcelo Lomba: Estou cortado do Campeonato Paulista devido a essa nova fórmula de inscrição, que só permite 28 jogadores, mas acredito que já estarei apto para a Copa do Brasil. Já estou trabalhando com bola em atividades à parte.

Reportagem: Você acha que tem alguma força tentando te impedir de disputar o Paulista? Primeiro, o Flamengo não te liberou para a Ponte em 2011, e agora essa lesão na costela…

Marcelo: Parece mesmo, né? E é uma pena, estou muito empolgado para disputar o Paulista, mas por enquanto fica só o gostinho mesmo. Fico frustrado por ter jogado só uma vez, contra o Marília. A minha vontade é de fazer muito mais com a camisa da Ponte. A expectativa de ajudar o clube é enorme, a equipe é muito forte e quero somar a esse elenco, mas vamos com calma.

 

Reportagem: Mesmo depois de uma só partida, você já consegue notar alguma diferença entre o Paulista e os outros estaduais que disputou, como o Baiano que venceu em 2012 e 2014?

Marcelo: Com certeza. Um dos motivos de eu ter vindo é esse, o fato de disputar um estadual forte e a Série A do Brasileiro. É o estadual mais bem organizado e estruturado do país. Mesmo as equipes de menor expressão fazem jogos muito bons, é um torneio muito competitivo.

Reportagem: Essa tentativa frustrada é algo que ainda fica na sua cabeça? Acha que teria sido melhor ir para a Ponte ao invés do Bahia?

Marcelo: Na época, eu cheguei a Campinas, vi vários jogos, vi a torcida e me encantei. Quando não deu certo, fiquei chateado, mas Deus sabe o que faz. Estava muito empolgado pela possibilidade de vir para a Ponte, mas no fim das contas acabei construindo uma história bonita no Bahia, e hoje estou aqui para retomar a oportunidade no clube.

Reportagem: Acha que as críticas da torcida no ano passado desrespeitaram todo o seu esforço em mais de 200 partidas pelo Tricolor, ainda mais sendo capitão?

Marcelo: Eu vivi quatro anos no Bahia, fui campeão e graças a Deus recebi um reconhecimento muito grande. Na minha opinião, a torcida se acostumou muito a me ver atuando muito bem, aí depois houve um estranhamento. Ano passado vivemos um ano ruim, com atuações abaixo da média do time e minhas também, mas agora é passado. Tenho um grande carinho pela torcida do Bahia, e agora estou aqui para defender a Ponte sem ressentimentos.

Reportagem: Você tem a expectativa de voltar a defender o Bahia após o fim do empréstimo, ou planeja ficar na Ponte de forma definitiva?

Marcelo: Não é momento de pensar nisso. Primeiro quero voltar bem de lesão e defender essa camisa com qualidade. Estou criando um grande carinho pela Ponte Preta, e espero corresponder às expectativas.

Reportagem: Você tem algum comentário sobre a demissão do Ricardo Palmeira, agora ex-preparador de goleiros do Bahia?

Marcelo: Olha, nem sabia que essa informação tinha saído assim… Agradeço muito a ele. Com o apoio do Ricardo, pude ser eleito melhor goleiro do Brasil em 2011. É um grande orientador, sempre trabalhou com muita humildade e esforço, sempre nos escutou e nos deu boas dicas. Agradeço muito, não sei o que aconteceu.

Reportagem: Qual é a avaliação que você faz do time da Penapolense e do Capivariano, próximos adversários da Ponte no Paulista? Acha que o caminho está tranquilo a partir de agora?

Marcelo: São times que nós precisamos respeitar, mas o elenco está bem, buscando a melhor formação. Com um bom grupo e um time titular do nível do nosso, acredito que podemos comemorar esse ano.

Reportaem: É possível conquistar o primeiro grande título da história do clube já nesse estadual?

Marcelo: Eu confio muito nesse time, sem dúvida. É claro que queria estar jogando e ajudando a equipe, mas com o trabalho que o grupo inteiro tem realizado, e com o apoio da torcida, podemos conquistar o Paulista sim.

Reportagem: Em 2014, você chegou a ser treinado pelo Gilson Kleina, que também já comandou a Ponte e fez um trabalho muito bom no clube. Você consegue comparar o estilo do Kleina com o do Guto Ferreira?

Marcelo: O Kleina é um grande profissional, uma grande pessoa com quem eu nunca tive nenhum problema. Tenho trabalhado pouco com o Guto porque passei muito tempo machucado, então não estou na mesma rotina do restante do elenco. Não sei bem como ele age nas preleções, por exemplo. Pelo que já pude notar, é um estudioso da parte tática, um treinador muito competente.

Reportagem: Como reserva do Bruno por quatro anos no Flamengo, você acha que o abalo provocado pelo caso na época foi responsável pela má campanha do time no Brasileiro, que quase resultou em rebaixamento um ano depois do título nacional?

Marcelo: É claro que houve uma reação, mas acho que a nossa queda de rendimento de 2009 pra 2010 teve mais a ver com a saída de jogadores como o Adriano, o Vagner Love… O negócio do Bruno nos abalou momentaneamente, talvez nas duas primeiras semanas, porque foi realmente um choque para todos nós. Mas não podemos atribuir o nosso ano ruim só a isso.

Reportagem: Você fica chateado por ter sido reserva no clube por tanto tempo, para depois ser obrigado a assumir a titularidade naquela panela de pressão?

Marcelo: Foi uma situação atípica, jamais esperaria passar por isso na minha carreira. Realmente foi uma situação que eu preferia não ter vivido, pelo tamanho do choque. Nenhum jogador espera assumir a titularidade dessa forma. Mas hoje amadureci, o tempo passou. A gente não sabe o que aconteceu de verdade com aquela moça, e acho que nunca saberemos a história toda.

Reportagem: Por fim, qual é a sua opinião sobre a gestão da Patrícia Amorim no Flamengo, de 2010 a 2012?

Marcelo: Não sei o que comentar sobre o trabalho dela. Quando estava no clube, a situação ainda não estava tão ruim. Depois, quando estava no Bahia, passei a acompanhar os problemas de longe, então acredito que não tenho propriedade para opinar sobre eles.

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