23/04/2024

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Cenário de fritura de Muricy é inédito. Ele não se demitiu, mas pode sair; confira.

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Guilherme Palenzuela Do UOL, em São Paulo.

A coisa esta feia e só a vaidade pode explicar a permanencia de Muricy colocando o destino do São Paulo em risco, a própria saúde do treinador esta explicito que não vai bem.
A coisa esta feia e só a vaidade pode explicar a permanencia de Muricy colocando o destino do São Paulo em risco, a própria saúde do treinador esta explicito que não vai bem.

A crônica de uma demissão de treinador no futebol brasileiro é quase sempre a mesma: diretorias negam nos microfones, calam-se fora deles, por vezes afirmam que o treinador está “prestigiado” e, numa derrota mais marcante, o treinador cai. Foi assim no São Paulo com Paulo Autuori, Ney Franco, Emerson Leão e tantos outros. Foi assim com Muricy Ramalho, em 2009. Agora, em 2015, é tudo absolutamente diferente. Muricy Ramalho sofre atualmente um processo de fritura inédito no Morumbi.

Neste domingo o São Paulo perdeu por 2 a 0 para o Botafogo, em Ribeirão Preto, pelo Paulistão. Depois do jogo, Muricy citou os problemas de saúde que enfrenta, disse que “não aguenta mais” e, mais tarde, em contato com o UOL Esporte, negou que tivesse entregado o cargo à diretoria. Muricy não pediu demissão, mas pode deixar o comando do time contra a própria vontade, se assim decidir a diretoria.

O processo de fritura, que leva a tal situação, no entanto, é inédito. No São Paulo, fala-se abertamente há uma semana sobre o sucessor do treinador. Até o vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro, único defensor ferrenho de Muricy Ramalho na alta cúpula são-paulina, segundo fontes da alta cúpula são-paulina, tem falado sobre o próximo treinador do time. Nos últimos dias, disse à Rádio Bandeirantes que o treinador virá da Europa, e que seria mais fácil contratar neste perfil no meio do ano. Mas Muricy tem contrato até 31 de dezembro de 2015.

É óbvio, Ataíde Gil Guerreiro não quer Muricy fora do São Paulo. Pelo contrário. O vice de futebol é quem segura, quem demoveu o treinador da ideia de deixar o comando após a derrota por 3 a 0 para o rival Palmeiras. Seu discurso sobre o sucessor de Muricy apenas reflete o que acontece internamente hoje no São Paulo: uma discussão diária entre dirigentes sobre a saída de Muricy.

Ataíde Gil Guerreiro está praticamente sozinho. Outros dirigentes importantes do São Paulo são contra a continuidade de Muricy. Há fritura. Diferentemente da crônica da demissão tradicional, com poucas informações, a crônica de Muricy se escreve à base de diversas críticas internas. O presidente Carlos Miguel Aidar, no entanto, reiterava nos microfones até a última quinta-feira que Muricy será mantido até o fim de seu contrato – ele foi procurado, mas não atendeu a reportagem após o jogo de domingo.

Mas não é difícil explicar por que esta crônica foge ao script comum: Muricy é imenso no São Paulo. Foi jogador do clube, é o discípulo de Telê Santana, encantou com o Expressinho, reassumiu a equipe após o Mundial de 2005 e foi tricampeão brasileiro. Fez juras de amor ao São Paulo, tornou-se um dos maiores ídolos da história. Teve seu nome cantado no Morumbi entre 2009 e 2013, enquanto treinou Palmeiras, Fluminense e Santos – dois deles rivais, outro carrasco na Libertadores. No fim de 2013, voltou ao São Paulo e salvou o time do rebaixamento, com excelente campanha de recuperação. Foi vice-campeão brasileiro no ano seguinte. Muricy é imenso no São Paulo. Fosse outro treinador, sem a mesma história, a crônica seria comum. Mas como já disse o próprio treinador, “tem que ser fera para me derrubar”.

Sua saúde incomoda. A ele, à família e aos amigos. Como contou sua própria esposa, precisa realizar uma cirurgia para retirada de pedra na vesícula, que o tirará do trabalho por cerca de duas semanas. Além disso, trata uma diverticulite e há seis meses foi internado com um quadro de arritmia cardíaca. Muricy viu de perto seu mestre, Telê Santana, ser impedido de exercer a profissão após sofrer uma isquemia cerebral, em 1996.

E assim como o mestre, Muricy anunciou: “Vou morrer atirando”, disse, na última semana, no CT da Barra Funda. Ele quis dizer que não pedirá demissão, que agora irá até o fim do contrato ou até o fim das próprias forças. Ele conseguiria combater todas as críticas internas se o time estivesse jogando bem, mas ele mesmo concorda que seu trabalho até agora não surtiu efeito em 2015. O São Paulo tem um dos melhores elencos do Brasil, senão o melhor, e não conseguiu jogar bem em nenhuma partida da temporada até aqui.

Parte da diretoria espera que a ruptura entre São Paulo e Muricy se encerre de forma antecipada. E a maioria nem defende que isso aconteça agora. A opção que mais agrada à maioria seria a saída de Muricy só após um eventual fracasso na Copa Libertadores. O argumento é que, se demitir agora, o São Paulo terá de recorrer a um técnico de nível baixo, disponível no mercado. Mais próximo do meio do ano poderia encontrar opção de alto nível, vinda da Europa, como já disse Ataíde.

A versão oficial do São Paulo diz o contrário, mas dificilmente Muricy chegará até o fim de seu contrato.

Em setembro de 2013, quando Muricy Ramalho iniciou a arrancada que faria o São Paulo evitar o rebaixamento no Brasileirão, Rogério Ceni falou: “Autuori e Muricy não são para ficar dois meses no São Paulo. Um só colocou uma estrela a mais no peito, e o outro é tricampeão brasileiro. O Telê morreu, nós matamos o Autuori. Restou o Muricy e espero que possamos preservá-lo melhor. São pessoas que temos de ter carinho muito grande”. Muricy fez excelente trabalho em 2013, bom trabalho em 2014 e vai mal em 2015.

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