23/04/2024

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Racismo, sexismo e elitismo ‘assombram’ clube mais tradicional do mundo no golfe. Entenda o fato.

3 min read

Igor Resende, para o ESPN.com.br.

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O Augusta National Golf Club recebe o US Masters a partir desta quarta
O Augusta National Golf Club recebe o US Masters a partir desta quarta

O Augusta National Golf Club definitivamente é um local diferenciado em pleno ano de 2015. Palco mais tradicional do mundo para o golfe, o local começa a receber nesta quinta-feira mais um US Masters, o primeiro dos quatro grandes torneios da temporada. E, de novo, receberá o torneio ainda tentando se abrir ao mundo, em meio à críticas e contestações por conta do seu modo de admitir novos sócios.

Aos poucos, é verdade, o clube vem tentando mudar e ‘já’ conta com negros e mulheres em seu quadro de associados. Mas, claro, ainda não consegue se livrar dos rótulos de racista, sexista e, muito menos, do de elitista.

Para começo de conversa, não há como se tornar sócio do clube a não ser por meio de convite. Ou seja: é o próprio Augusta National Golf Club quem define quem será e quem não será sócio.

Isso claro, sempre foi alvo de polêmicas e preconceitos. O clube, que foi aberto ao público ainda em 1933, só começou a aceitar jogadores negros em 1990. Antes disso, fazia ainda pior: relegava aos negros apenas o papel de caddies (os carregadores de tacos e bolas).

Clifford Roberts, um dos fundadores do clube, já deixava o preconceito mais que transparente. “Enquanto eu viver, todos os golfistas serão brancos e todos os caddies serão negros”, dizia. Sua morte, em 1977, mudou as coisas.

Cinco anos depois, em 1983, a regra do clube mudou. Os caddies, que eram fornecidos pelo Augusta National, passaram a ser escolhidos pelos próprios jogadores. A única coisa que continuava – e continua até hoje – obrigatória era a vestimenta tradicional branca imposta aos carregadores.

Para as mulheres, as portas demoraram ainda mais a se abrirem. Somente em 2012 o clube passou a aceitar sócias do sexo feminino. E só depois de uma campanha pública no começo dos anos 2000. À época, um dos sócios explicou o porquê das portas fechadas. E, claro, de uma forma um tanto quanto machista.

“Não temos nada contra mulheres. Eu amo todas elas. Tenho algumas”, disse Boone Knox, um executivo de bancos. “Somos um clube privado e sou a favor de continuar como somos”, completou.

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Condoleza Rice, uma das primeiras mulheres admitidas no clube
Condoleza Rice, uma das primeiras mulheres admitidas no clube

As duas primeiras mulheres aceitas foram Condoleezza Rice e Darla Moore. Uma ex-secretária de estado nos Estados Unidos e uma empresária milionária. O que ‘resolveu’ o problema de não ter sócias, mas aumentou a discussão sobre o elitismo da lista de associados.

Essa lista, aliás, é protegida. Depois de muito tempo, o jornal USA Today teve acesso ao quadro de associados no começo dos anos 2000 e comprovou que a maioria é de aposentados dos setores mais altos e nobres dos Estados Unidos.

Na lista de associados, estão Bill Gates e Warren Buffett, o 1º e o 3º na lista de homens mais ricos do mundo, respectivamente.

O curioso é que a taxa anual do clube fica entre 10 e 30 mil dólares, um valor considerado bem baixo para os padrões do país e de clubes deste nível.

Em meio a sua missão de “defender os ideias do golfe”, o clube ainda tem outras curiosidades particulares. É proibido, por exemplo, correr. Nada também de pedir autógrafos aos jogadores. Também não são permitidos nenhum tipo de celular ou câmera, a não ser que você seja um jornalista credenciado para a cobertura do evento.

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