26/02/2024

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10 acontecimentos marcantes da Copa do Mundo 2013

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Do ZigZag do Esporte/Copa do Mundo de Natação de Pequim 2013.

Katinka Hosszu e Chad le Clos (foto: divulgação)

Katinka Hosszu e Chad le Clos (foto: divulgação)

Com o término da etapa de Pequim, ontem, o circuito da Copa do Mundo de natação chegou ao fim, após oito etapas. A húngara Katinka Hosszu e o sul-africano Chad le Clos levaram os prêmios de melhores nadadores, recebendo cada um um cheque de 100 mil dólares, isso sem contar as premiações conquistadas em cada prova e por recorde. Hosszu terminou com nada menos que 365 mil dólares, a maior premiação já recebida por um nadador.

Mas nem só de Hosszu e le Clos se fez essa Copa do Mundo. Foi o circuito mais forte dos últimos anos, e os resultados, recordes e disputas tiveram grandes atrativos. Abaixo, a lista do que mais marcante aconteceu este ano.

Katinka Hosszu bate os recordes mundiais dos 100m, 200m e 400m medley
Hosszu pode ser destaque por diversos fatores nesse circuito da Copa do Mundo. O mais óbvio seria pelo número de medalhas conquistadas (nada menos que 55, sendo 32 de ouro), demonstrando muita versatilidade e resistência – ela chegou ao ápice de participar seis das oito finais do primeiro dia em Moscou, medalhando em todas! Mas a húngara merece destaque especial por ter superado recordes mundiais nas três provas de medley. O 100m medley é uma prova quase exclusiva de velocistas – que o digam nadadoras como Martina Moravcova, Jenny Thompson e Therese Alshammar, ex-recordistas, que nunca tiveram destaque no medley mas com a explosão conseguiam tempos expressivos. Por outro lado, 400m medley é uma prova para fundistas, ou ao menos nadadores com grande capacidade aeróbica. Ter as duas habilidades em nível internacional é para poucos. Ter recordes mundiais dos 100m aos 400m medley é só para Katinka, a única nadadora da história, no masculino e no feminino, a conseguir o feito. Em tempo: seu recorde nos 200m medley na etapa de Eindhoven, com 2min03s20, mais de um segundo abaixo da marca anterior, lhe deu incríveis 1034 pontos na tabela da FINA, o maior índice técnico, disparado, do circuito. Após ela, está a lituana Ruta Meilutyte, que também fez uma marca fenomenal, nos 100m peito, com 1016.

A maturidade de Chad le Clos
Chad le Clos havia sido o vencedor da Copa do Mundo em 2011, já mostrando versatilidade naquela época. No entanto, uma rápida olhada nas suas marcas e atestamos: ele está muito melhor. Em 2011, o circuito foi bem mais fraco. Se o Chad le Clos daquela época tivesse nadado a Copa do Mundo de 2013, nem o mencionariamos nesse texto. Melhorou quase dois segundos nos 200m borboleta, um segundo e meio nos 200m livre, quatro segundos nos 400m medley. E nem nadava 50m borboleta. Hoje, já é um dos mais rápidos da história da prova. Nos 100m livre, quase bateu o recorde africano e fez um dos melhores tempos do ano. Bateu dois recordes mundiais nos 200m borboleta. Mostrou características extremas de velocidade (22s baixo nos 50m borbo) e resistência (3min59s nos 400m medley). Chegou a vencer três provas duríssimas (200m livre e medley e 100m borboleta) na etapa de Cingapura em menos de 50 minutos. No dia que os rumores que Michael Phelps irá voltar às piscinas ganharam força total (ele apareceu para nadar no aquecimento no GP de Minneapolis e soube-se que ele foi testado duas vezes para doping nos últimos meses, o que significa que pode estar ensaiando uma volta), Chad le Clos se configura num rival e tanto para as conquistas do americano.

Nicholas Santos se aproxima do recorde mundial
Há um mês, em entrevista para o Blog Swim Channel/UOL, Nicholas Santos não escondeu o desejo de ir atrás do recorde mundial nos 50m borboleta. Em três etapas disputadas (Cingapura, Tóquio e Pequim), foi evoluindo seus tempos e chegou perto na China, com o tempo de 22s13, recorde sul-americano e se aproximando da marca do alemão Stefen Deibler (21s80, de 2009). A marca é ainda a segunda melhor da história sem trajes tecnológicos, atrás apenas dos 22s05 do sul-africano Roland Schoeman. Nicholas, atual campeão mundial da prova em piscina curta, não sente o peso da idade e não para de melhorar. O Brasil nunca teve mais que um recorde mundial em uma prova em piscina curta, e Nicholas quer quebrar esse tabu, trazendo de volta para o país a marca que já foi de Kaio Márcio de Almeida entre 2005 e 2008.

Recordes sul-americanos para Etiene Medeiros e Lucas Kanieski
Etiene já havia trazido um grande resultado do Mundial de Barcelona: o quarto lugar nos 50m costas, a melhor posição da história da natação feminina na competição. Deu continuidade à boa fase na Copa do Mundo: com 26s61, iguala o recorde sul-americano de Fabiola Molina. Além de Nicholas nos 50m borboleta, ela foi o único ouro individual do Brasil no circuito. Para quem achou que as marcas de Fabiola iriam durar muitos anos após sua aposentadoria, Etiene vem provando o contrário. Já Kanieski, na etapa de Moscou, se tornou o primeiro brasileiro a superar um recorde sul-americano em 2013, com 14min44s66 nos 1500m livre, saindo com a medalha de prata na ocasião.

Brasil quase supera o recorde mundial no 4x50m livre misto
Tudo bem que é uma prova nova, que os recordes começaram a ser reconhecidos há somente dois meses e que por isso as marcas mundiais de revezamentos mistos vêm caindo frequentemente. Mas, ainda assim, ser recordista mundial é para poucos. E isso quase aconteceu com a equipe brasileira do 4x50m livre misto, na etapa de Cingapura. A equipe formada por Nicholas Santos, Fernando Silva, Larissa Oliveira e Graciele Herrmann venceu a prova com o tempo de 1min31s20, ficando somente a seis centésimos da marca da equipe francesa, conseguida duas semanas antes.

Equipe brasileira 4x50m livre misto (foto: Instagram de Larissa Oliveira)

Equipe brasileira 4x50m livre misto (foto: Instagram de Larissa Oliveira)

Ruta Meilutyte continua assombrando o mundo
Na etapa de Moscou, única nadada pela fenomenal lituana, ela continuou a impressionar. Seu recorde mundial nos 100m peito de 1min02s36 foi 34 centésimos mais rápido que a marca anterior, algo mais significante se notarmos que era um recorde da época dos trajes tecnológicos, e que antes de Ruta jamais outra nadadora havia abaixado de 1min03s sem trajes. Como ainda tem 16 anos, pode evoluir e estabelecer novas marcas ainda mais absurdas. Dos 15 aos 16 anos, se tornou campeã e recordista mundial de curta e longa e campeã olímpica. Dizem que ela já conquistou todos os títulos possíveis, o que ainda não é verdade. Ainda pode ser campeã da Olimpíada da Juventude e ainda não venceu um Europeu de longa. Mas alguém duvida que é só uma questão de tempo?

James Magnussen prova que é o melhor nadador de 100m livre da atualidade
Após os Jogos Olímpicos, alguns ficaram em dúvida, mesmo tendo ele a melhor marca do mundo. No Mundial de Barcelona, venceu a prova, mas sem demonstrar grande supremacia. Na etada de Eindhoven, no entanto, James Magnussen mostrou que é realmente o melhor do mundo. Seu rival, o russo Vladimir Morozov, tem mais explosão, o que é claramente uma vantagem em piscina curta – inclusive tem o melhor tempo da história em piscina de 25 jardas. Morozov venceu sete vezes a prova no circuito e perdeu só uma: justamente quando Magnussen nadou. E, das sete vitórias do russo, nenhuma teve tempo melhor que o 45s60 do australiano. Mesmo sendo um nadador com características de piscina longa, mostrou que também manda na curta e que Londres foi só um acidente.

Mireia Belmonte nada os 800m abaixo de oito minutos
A espanhola já havia mostrado seu valor em piscina curta, com três medalhas de ouro no Mundial de 2010. Mas, ao anotar 7min59s34 nos 800m livre na etapa de Berlim, fez o que muitas tentaram anteriormente: nadar abaixo de oito minutos. Usando uma estratégia perfeita, fazendo uma prova negativa, foi pressionada pela neo-zelandesa Lauren Boyle, que também ameaçou o recorde anterior. Aliás, as duas nadadoras travaram belas batalhas, com Mireia vencendo cinco vezes os 800m no circuito e Lauren as outras três. Na mesma etapa de Berlim, Mireia também superou o recorde mundial dos 400m livre (3min54s52). Com sua marca nos 800m na curta, a espanhola tem agora uma nova perspectiva. Afinal, o tempo que lhe deu a prata olímpica em 2012 foi 8min18s. Mas 7min59s na curta certamente correspondem a menos de 8min18s na longa. Será que a americana Katie Ledecky, atual dona das provas de fundo atualmente, já precisa começar a se preocupar?

Mireia Belmonte comemora seu recorde (foto: dpa)

Mireia Belmonte comemora seu recorde (foto: dpa)

Os quatro fantásticos
Quatro foram os nadadores que venceram suas especialidades em todas as etapas. Naturalmente, Katinka Hosszu e Chad le Clos, campeões do circuito e os mais versáteis nadadores da competição, estão entre eles. A húngara venceu todas as oito vezes que nadou os 200m medley e o sul-africano, os 200m borboleta, com recordes mundiais para coroar ainda mais a temporada. A ucraniana Daryna Zevina não perdeu os 200m costas em nenhuma etapa. E Roland Schoeman, compatriota de le Clos, também saiu com oito vitórias, mas não nos 50m livre ou 50m borboleta, provas pelas quais é mais reconhecido, mas nos 50m peito! E sempre abaixo de 26 segundos, com exceção da etapa de Tóquio. Na realidade, não tem sido raro velocistas se arriscarem, e bem, em provas de peito. O francês Florent Manaudou, campeão olímpico dos 50m livre, ficou com a prata nos 50m peito na etapa de Doha. E o russo Vladimir Morozov, que por pouco não faz parte da lista dos vitoriosos em todas as etapas (conseguiu sete vitórias tanto nos 50m quanto nos 100m livre), subiu no pódio em duas ocasiões nos 100m peito.

A volta da qualidade
Tivemos uma etapa, a de Eindhoven, com seis recordes mundiais, a mais forte em 11 anos (confira aqui). Diversos medalhistas do último Mundial estiveram presentes no circuito, inclusive destaques absolutos como James Magnussen, Yannick Agnel, Christian Sprenger, Daniel Gyurta, Ranomi Kromowidjojo, Cate Campbell, Yulia Efimova e os já citados Chad le Clos, Katinka Hosszu e Ruta Meilutyte. Muitas provas contavam com balizamentos estelares. Se o formato da Copa do Mundo é ideal, é outra discussão. Mas os prêmios em dinheiro, o incentivo para medalhistas mundiais com despesas pagas e a realização de etapas logo depois do Mundial fez o circuito ter um novo gás. Basicamente, para a festa ficar completa, faltaram os grandes nadadores americanos. Por diversos motivos, como calendário diferente e regras universitárias (nadadores universitários americanos não podem aceitar premiação em dinheiro), fica o desafio para que a competição agora consiga atrair os destaques do país mais forte do mundo da natação.

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