18/06/2024

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Melhor brasileiro na São Silvestre 2022, atleta baiano foi o 4º colocado e sonha em disputar os Jogos Olímpicos. VEJA!

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Por Carlos Fiúza de Salvador para o Zigzagdoesporte.com.br

Atleta e coletor de lixo, baiano foi o melhor brasileiro na São Silvestre;  saiba mais
Atleta e coletor de lixo, baiano foi o melhor brasileiro na São Silvestre .

A prova masculina da tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, realizada neste sábado (31), em São Paulo, foi vencida por Andrew Kwemoi, de Uganda, com o tempo de 44min43s. O brasileiro mais bem colocado foi o baiano Fábio Jesus Correia que cruzou a linha de chegada no quarto lugar em 46min13s. Aos 24 anos, ele tem acumulado marcas expressivas no atletismo e sonha em disputar uma Olimpíada.

“Todo atleta quer chegar nas Olimpíadas. Não custa nada sonhar e fazer acontecer. Vamos levar a Bahia para longe”, declarou.

Fábio começou no atletismo por acaso e precisou superar dificuldades para se manter no esporte. Ele foi descoberto aos 14 anos correndo descalço ao vencer a Corrida da Paz em 2016, promovida pelo conterrâneo Ivanildo Dias.

“O atletismo começou na Bahia. O Ivanildo fazia esse incentivo para as crianças. Corri de pés descalços e fui campeão. Ele falou que eu teria futuro e que quando eu quisesse me deva oportunidade em São Paulo”, lembrou. “Hoje eu tenho tênis bom, mas naquele tempo não tinha. E o que tinha incomodava. Então corri descalço e consegui ser campeão”, continuou.

Fabio Jesus se mudou da Bahia para São Paulo em 2019, após receber uma proposta de emprego como coletor de lixo. Pai aos 16 anos, ele sempre batalhou para se sustentar e também trabalhou em uma fazendo cuidando do capim e do gado, além de ser motorista de Uber.

“Vim para São Paulo com trabalho certo. As oportunidades batem na porta, tive que seguir meu rumo, vim para cá. E eu comecei a trabalhar e a treinar no clube também. E aí comecei, fui tomando gosto”, comentou.

No mesmo ano da mudança de cidade, ele também passou integrar a equipe de atletismo do São Paulo FC/Kiatleta. Desde então foi crescendo na modalidade obtendo bons resultados. Em 2021, ele já liderava o ranking brasileiro sub-23 de provas de 5 mil e 10 mil metros rasos, sendo convocado para representar a seleção nacional da categoria no Sul-Americano de Atletismo em Guayaquil, no Equador. De lá, regressou com o ouro nos 10 mil metros e a prata nos 5 mil metros. O baiano ainda se destacou no Pan-Americano Sub-23 (prata nos 5 e 10 km), Brasileiro Sub-23 (prata e bronze), Copa Brasil de Fundo de 2022 e o bicampeonato paulista sub-23 de 10 mil metros.

Fábio dedicou a quarta colocação na São Silvestre à mãe, Dona Francisca, que faleceu em 2020. Quando se mudou para São Paulo, ela já estava acamada e ele não conseguiu voltar à cidade natal para acompanhar o enterro.

“Pensar em minha mãe. Acho que ela estava dando força. Porque não é fácil. Nossa vida é um pouco sofrida. Trabalhei com Uber, sou coletor. Minha rotina é muito puxada. Chegar aqui e fazer uma coisa que muitos às vezes duvidavam… E consagrar a quarta colocação na São Silvestre… Sem palavras. Só agradecer a Deus, à minha família, o clube, minha cidade que está torcendo em peso. Só agradecer”, afirmou. “Quando eu saí da Bahia para vir trabalhar aqui em São Paulo, há quatro anos, eu deixei ela muito doente. E quando comecei a trabalhar com uber, não pude ir ao velório. E eu fiquei muito triste, ela sempre vai ser lembrada. Eu sou filho adotivo e ela foi quem me deu todo carinho, todo suporte. Por isso que esse carinho vai para ela. Onde ela estiver, eu acho que ela tá muito feliz que estou fazendo um bom papel. Ela pedia para eu fazer o bem, nunca maltratar ninguém. E hoje eu tô aqui, consagrado na São Silvestre”, finalizou.

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