03/03/2024

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De favorita a decepção: Williams explica mau início de campeonato

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Livio Oricchio
Do UOL, em Sakhir (Bahrein).

Felipe Massa

06.abr.2014 – Felipe Massa larga bem e pula do sétimo para o terceiro lugar no GP do Bahrein PATRICK BAZ/AFP

Poucas vezes o velho ditado tão utilizado na F1, de que “treino é treino e corrida é corrida”, foi tão verdadeiro quanto o apresentado pela equipe Williams nos testes de inverno e depois nas três etapas do campeonato já disputadas. Apontada como uma das candidatas à vitória nas provas, o máximo que a equipe conseguiu foi o quinto lugar de Valtteri Bottas no GP da Austrália. Assim, a Williams é apenas a sexta colocada no Mundial de Construtores, 81 pontos atrás da líder Mercedes.

O cenário é bem diferente do que o mostrado nos testes antes do campeonato começar. No circuito de Sakhir, onde as equipes mais se prepararam na pré-temporada, Felipe Massa registrou com a Williams o melhor tempo dentre todos os pilotos. A seguir veio a dupla da Mercedes, com Hamilton em segundo e Nico Rosberg em terceiro. Para atestar a eficiência da Williams nos testes, Bottas obteve o quarto melhor tempo. Mas apenas a Mercedes ratificou a imagem de eficiência nos testes, ao estabelecer as três poles do ano, duas com Hamilton e uma com Rosberg, e vencer as três corridas.

Diante desse quadro, a questão é inevitável: o que explica a Williams de Massa passar a impressão de que o Brasil teria chance de voltar a vencer na F1 e, de repente, lutar para apenas somar pontos? Até mesmo a possibilidade de chegar entre os três primeiros no pódio parece, em condições no normais, um tanto distante.

UOL Esporte fez a pergunta diretamente a Massa: “O meu carro hoje (no domingo, depois do GP de Bahrein) é o mesmo daquele que eu fui mais rápido aqui. Já os nossos adversários trouxeram carros com muitas peças novas”, explicou o piloto.

Para o diretor técnico da Williams, o experiente Pat Symonds, também ouvido pelo UOL Esporte, “a aerodinâmica continua sendo extremamente importante na performance do carro, apesar das restrições este ano”. E tanto Massa quanto Bottas sinalizaram desde os testes uma certa deficiência exatamente nessa área, a aerodinâmica.

“Nós não conseguiríamos fazer três pit stops aqui (GP de Bahrein), nossos pneus acabavam antes dos da Force India, por exemplo, que largaram para apenas duas paradas”, disse Massa. Esse maior desgaste dos pneus relaciona-se com a falta de geração de pressão aerodinâmica da Williams, em especial na porção traseira. “É por isso que na chuva nós perdemos tanta tração, a traseira escorrega demais, falta pressão aerodinâmica”, falou Bottas, ainda em Sepang, após a segunda prova da temporada, na Malásia.

“Uma coisa é ser veloz numa volta lançada, outra é ao longo da prova. Aí é que aparece o quanto eles (Mercedes) estão na nossa frente”, diz o tetracampeão do mundo Sebastian Vettel, da Red Bull, para explicar porque a sua equipe se aproxima da Mercedes no treino de classificação e come poeira durante as corridas.

Nos testes da pré-temporada, Massa ficou com o melhor tempo e passou a impressão de que a Williams poderia não só acompanhar o desempenho de Hamilton e Rosberg como até superá-lo. Afinal, estabeleceu melhor marca que eles. Mas aí entra em cena a questão levantada por Vettel: não é tão difícil ser rápido numa volta. Complexo é ser durante os 300 quilômetros da corrida, em que todos os sistemas do carro submetem-se a exames bem mais rigorosos.

No primeiro treino classificatório sem chuva, em Bahrein, Bottas repetiu o comportamento da Williams na pré-temporada, ao ficar em quarto, embora com uma marca distante da de Rosberg, o pole position. Massa errou na sua volta lançada e largou em sétimo. Mas ao longo das 57 voltas do GP de Bahrein a realidade entre a Mercedes e todos os demais se manifestou.

Entre o safety car sair da pista, no fim da 46ª volta, e a bandeirada, foram apenas dez voltas. E Hamilton cruzou a linha de chegada 22 segundos na frente do terceiro colocado, Sergio Perez, da Force India, e 31 segundos antes de Massa, sétimo.

O diretor técnico da Williams já comentou também a diferença de desempenho da Williams entre os testes e o início do campeonato. “Esta é uma organização que se reestruturou por completo, da área técnica, principalmente, à administrativa. Você não tem resultados de imediato. O importante é o potencial do grupo, evidente para mim.”

Da Red Bull, a Williams trouxe Dave Wheater, e da Lotus, Shaun Whitehead, ambos especialistas em aerodinâmica. Da Force India veio Jakob Andreasen, chefe de engenharia, da Mercedes, Craig Wilson, dinâmica veicular, e da Ferrari, o experiente Rob Smedley, ex-engenheiro de Massa, agora como supervisor da área de engenharia. A Williams só não mexeu na liderança da equipe, exercida por Claire, por muitos questionada na F1 pela ausência total de experiência e até mesmo liderança.

Para o GP da China, o próximo do campeonato, dia 20, esse grupo de novos técnicos contratados pela Williams projetou um novo aerofólio dianteiro e pequenos detalhes também do conjunto aerodinâmico. “Mas será na corrida de Barcelona (quinta etapa, dia 11 de maio) que teremos um pacote maior de mudanças, com várias peças novas”, disse Massa, no circuito de Sakhir.

É muito pouco provável que essa quase nova versão do modelo FW36 da Williams possa de uma prova para a outra oferecer resistência a Mercedes, que também introduzirá avanços no seu W05. Mas ver a Williams com maior velocidade e constância na luta com Red Bull, McLaren, Force India e Ferrari faz sentido.

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