23/05/2024

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Fla admite interesse mútuo com Odebrecht por novo Estádio da Gávea; insucessos do passado servem como lição

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Arquibancada atual do Estádio da Gávea conta com capacidade para cinco mil torcedores

Do ZigZag do Esporte.

Flamengo.

Protagonista da reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo para votação do novo acordo com o Consórcio Maracanã S.A. na última terça-feira, o Estádio da Gávea está de novo sob holofotes. Batizado José Bastos Padilha, ex-presidente do clube durante a década de 30, quando foi construído, o estádio e sua arquibancada com capacidade para cinco mil torcedores não contemplam as exigências necessárias atuais do futebol brasileiro para comportar jogos oficiais.

Nos bastidores, o clube atua com força para que ele seja revitalizado e, por isso, decidiu incorporar uma ajuda da Odebrecht como uma cláusula no novo contrato com o Consórcio Maracanã S.A. As partes ainda conversam sobre a possibilidade e o desejo é mútuo, embora a obrigatoriedade de construção não conste em contrato. Há um entendimento entre as partes e o clube toma lições em empreitadas sem sucesso do passado pra viabilizar o sonho no presente.

A ideia foi discutida por nomes influentes na política interna rubro-negra e externada pelo ex-presidente Marcio Braga durante a reunião do Conselho Deliberativo. A discussão de viabilidade do projeto foi levada à Odebrecht, empresa que tem participação de 90% no Consórcio Maracanã S.A., e, em princípio, agradou. Inicialmente, a diretoria concebe a ideia de ter capacidade em torno de 15 mil e redesenhar a arquitetura do estádio, tornando-o moderno. Assentos vips estão no projeto, assim como restaurantes também de luxo com vista para o campo e para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Jogos de menor porte seriam disputados no novo Estádio da Gávea.

“A nossa intenção é ter o Estádio da Gávea revitalizado. As partes iriam estudar a viabilidade financeira. Há um interesse do Flamengo e da Odebrecht. O nosso sonho era ter um estádio de 50 mil. Isso é inviável. Acho que uma revitalização de um pequeno estádio é um direito legítimo do Flamengo. É bom para o clube e para a cidade. Aquele estádio como está hoje é feio. Se você tiver um mais moderno, mais horizontal, para dez, 12 ou 15 mil pessoas, não vejo nada de mais”, afirmou o vice-presidente de patrimônio, Alexandre Wrobel.

A ideia de revitalizá-lo não é nova e tampouco foi trazida à tona pelo ex-presidente Marcio Braga à toa. Durante seus dois últimos mandatos à frente do clube, entre 2004 e 2009, o ex-mandatário idealizou um projeto de revitalização para construir um estádio com capacidade para 30 mil lugares e um centro comercial. O suporte financeiro para construir o estádio seria de empresários norte-americanos do Bonham Group, que, em troca, teriam direito a exploração comercial, como a venda de naming rights.

O projeto, garante Braga, conseguiu todas licenças e autorizações necessárias junto aos órgãos municipais, estaduais e federais. Além disso, atendia aos parâmetros urbanísticos e de edificações estabelecidos pela legislação do Rio de Janeiro. Pelo acordo, o recuo das calçadas seria ampliado entre seis e nove metros e a altura projetada alcançaria 24,8 metros, inferior aos 26,7 metros da atual arquibancada. Após ter o aval do então prefeito do Rio, Cesar Maia, no fim de 2005, e também da então governadora Rosinha Garotinho, o projeto não foi à frente. Segundo Braga, devido a uma canetada do atual governador, Sérgio Cabral Filho, e que tem reflexo direto no acordo com o Maracanã.

“Quando estávamos com tudo pronto se iniciou uma grande discussão com o governador para que nós participássemos da privatização do Maracanã. Ele (Sérgio Cabral) tirou a autorização dada pela Rosinha e me tranquilizou dizendo que o Flamengo ia entrar na licitação do Maracanã com possibilidade de vitória. Acreditei num mentiroso. Eles fizeram um edital de concorrência e disseram que os clubes não podiam entrar na licitação. Agora ficamos sem estádio. Ele evidentemente fez isso tudo para beneficiar os seu amigos, a Odebrecht, o Eike Batista, que ganharam a administração do Maracanã”, dispatou Marcio Braga.

Em contato com a reportagem, a assessoria do Consórcio Maracanã S.A. afirmou que “A concessionária não se pronuncia a respeito de contratos em negociação.”

Antes contrária, associação de moradores adota discurso cauteloso

Utilizado pela última vez em abril de 1997, em uma partida entre Flamengo e Americano pelo Campeonato Carioca, o Estádio da Gávea conta com opositores também na vizinhança. Presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Leblon, Evelyn Rosenzweig foi autora de uma ação popular contra a construção de um novo estádio na Gávea. O motivo, segundo ela, era a utilização do terreno, cedido pelo Estado, também para fins comerciais e não só esportivos. Uma liminar concedida pela juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo, da 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio, impediu o início das obras. Agora, Evelyn adota um tom mais conciliador quanto à ideia.

” A questão do estádio muda um pouco de figura porque eles mantêm a finalidade esportiva. Deve-se estudar o impacto viário agora. Isso reflete para o entorno todo. Não é o melhor dos mundos, não é o que a gente gostaria. Mas tem de ser feito um estudo de impacto viário com muita seriedade e consideração com o morador. É um impacto ambiental, não temos uma infra-estrutura boa no bairro atualmente, de água, esgoto. Isso aumentaria com um estádio”, afirmou Evelyn Rosenzweig.

Procurada pela reportagem, a Procuradoria-Geral do Município do Rio de Janeiro preferiu não se manifestar sobre a legalidade do possível novo projeto do Flamengo, uma vez que o mesmo ainda é tratado apenas como hipótese. Nos bastidores do clube, a confiança é grande para que o projeto seja viabilizado e a revitalização da Gávea saia do papel. A intenção, no entanto, já surgiu outras vezes, como em 1995, quando o então presidente Kleber Leite acertou acordo para a construção de um shopping na Gávea com o Consórcio Plaza.

Na ocasião, o clube recebeu R$ 5 milhões, utilizados para a contratação de Edmundo, então no Palmeiras, mas o projeto não vingou. Atualmente, o Consórcio Plaza cobra na Justiça cerca de R$ 60 milhões do clube, que já sofreu derrotas em algumas instâncias na questão.

 

Fonte: Por Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br

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