23/04/2024

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Conheça Carlos Muñoz, o costa-riquenho mais gente fina do surf profissional

4 min read

Mariana Rennhard com x-games.com.br por espn.com.br.

Caminhando pela pousada em que a maioria dos atletas ficou hospedada para o WQS em Maresias, um quarto chamava a atenção com uma bandeira da Costa Rica pendurada de um lado a outro da janela. Difícil não reparar e se perguntar “quem é que está aí?”, para logo descobrir que era Carlos Muñoz.

ALEXANDRE RUAS

O WCT é o maior objetivo de Carlos
O WCT é o maior objetivo de Carlos

Aqueles que têm pouco contato com o surf a princípio não prestariam tanta atenção nesse hóspede. Mas aí bastaria lembrar de seu recente feito: foi ele quem venceu Gabriel Medina no Round 1 do WCT Trestles, onde competiu como wildcard após ganhar uma competição de vídeos e virou mais um “obstáculo” na busca do inédito título mundial do brasileiro. Ou o próprio Muñoz se faria conhecer a quem estava em Maresias: sorridente, fazia questão de cumprimentar todos com quem cruzava na pousada, na rua, no palanque ou na praia. Sem saber que, ali, ainda teria mais um motivo para ser lembrado: Carlos chegou às semis do O’Neill SP Prime, e só foi “impedido” de chegar à final por Filipe Toledo, campeão do evento.

MARIANA RENNHARD

Carlos Muñoz e sua bandeira no quarto de hotel
Carlos Muñoz e sua bandeira no quarto de hotel

Aos 21 anos, Carlos não pode dizer que não tem intimidade com o Brasil. Visita o país, para competir, desde os 16. Já passou por várias etapas de WQS no Guarujá, no Arpoador [Rio de Janeiro], Salvador, Florianópolis e, recentemente, Maresias. “As ondas no Brasil são muito difíceis. Nunca dá para saber o que esperar. Pode estar perfeito ou muito ruim”, confessa, mas sem deixar de expressar a alegria em visitar terras brasileiras.

Em setembro, ganhou a oportunidade de competir pela primeira vez em um evento do WCT, em Trestles. E, no primeiro round, derrotou justamente Gabriel Medina. “Fiquei tranquilo, encontrei boas ondas e o Medina não surfou tão bem nessa bateria, caiu muito. Consegui minhas ondas e pude avançar, com uma boa estratégia. Na segunda bateria [novamente contra Medina, no Round 3] perdi, porque preciso aprender mais e ser mais agressivo no surf algumas vezes. Mas fiquei feliz. Foi muito bom para mim”, conta sobre aquele dia. “Foi meu primeiro WCT e eu estava muito pressionado por competir contra o Gabriel Medina. Essa etapa me abriu a mente para eu saber melhor aquilo que quero. Ganhei ainda mais força para competir e focar no WCT, que é minha meta”.

 

O surf na Costa Rica cresceu muito nos últimos anos

Carlos Muñoz

 

Local de Esterillo, Costa Rica, Muñoz começou a surfar aos dez anos e, aos onze, passou a competir. Seu início no surf aconteceu em um momento em que o esporte no país não tinha tanta força. Hoje, ele garante que as coisas estão mudando, e fica feliz por isso. “O surf na Costa Rica cresceu muito nos últimos anos. Antes, não ia nada bem. Agora, os jornais, os canais de TV falam mais do esporte, ajudam a federação. Está crescendo pouco a pouco e novos talentos estão surgindo. Mas espero que a Costa Rica passe a apoiar mais o esporte e os atletas”, diz. Sua esperança, a princípio, é que em pouco tempo o surf alcance um ótimo – e, de certa forma, surpreendente – resultadoassim como a seleção costa-riquenha de futebol na Copa do Mundo do Brasil. “Ajudou todo mundo! Futebol é um esporte que todo mundo assiste, cria fãs apaixonados. Ficamos todos felizes, fizemos muita festa e o nosso desempenho na Copa levou muita energia boa para o país e fez com que todos os atletas quisessem ir tão bem quanto os jogadores de futebol”.

ALEXANDRE RUAS / VOLCOM BRASIL

Carlos Muñoz está acostumado a competir no Brasil
Carlos Muñoz está acostumado a competir no Brasil

Depois de se despedir de Maresias com um ótimo resultado, Carlos Muñoz seguiu para o Havaí para disputar os Primes de Haleiwa e Sunset. Mais uma vez, guardou sua bandeira da Costa Rica na mala, para pendurá-la em outra janela, na esperança de levantá-la em uma vitória que não deve demorar a chegar. “Sempre carrego essa bandeira comigo porque sempre acho que vou vencer o campeonato e, quando isso acontecer, quero subir ao pódio com a bandeira. Me dá uma boa energia”, revela. “Quero chegar ao WCT e ser campeão mundial. Mas um passo de cada vez”. Pura vida!

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