Das vaias a ‘MVP’: Porzingis ganha torcida, maior jornal do mundo e vira rei em Nova York.
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Nada como um dia após o outro. Ou uns meses após.
O letão Kristaps Porzingis teve a pior recepção possível à NBA. Ainda antes de completar 20 anos de idade, ele realizou o sonho de muitos jogadores ao ser selecionado na quarta posição do draft pelo New York Knicks, uma das franquias mais conhecidas do mundo. Mas o sonho acabou segundos depois de seu nome ser anunciado. Enfurecida, a torcida presente não escondeu a frustração, fez sinais negativos e soltou uma sonora vaia.
Porzingis ficou claramente constrangido, mas não respondeu às críticas. Não com palavras, pelo menos. Ele treinou, trabalhou duro e deu a volta por cima. Dentro de quadra.
Na noite desta terça-feira, aos 20 anos (completados no mês de agosto), se tornou o mais jovem jogador dos Knicks a conseguir anotar aos menos 25 pontos e pegar 10 rebotes em um jogo. Fez mais, aliás: anotou 29 pontos, pegou mais 11 rebotes e acabou ovacionado pela torcida, com direito até a gritos de MVP enquanto cobrava lances livres no final da partida.
“Tenho certeza que será o primeiro jogo assim de muitos”, se derreteu o companheiro e astro Carmelo Anthony.
Uma atuação que fez até mesmo o maior jornal do mundo se curvar a ele. O New York Times não pôde não entrar na onda de críticas à seleção de Porzingis, em junho, e acabou repercutindo a torcida. Nesta quarta, deu enorme destaque à atuação do letão, que garantiu o triunfo por 102 a 94 sobre o Charlotte Hornets.

“Cedo ou tarde, achava que faria um jogo assim. Mas eu não estava esperando que fosse agora, tão cedo”, admitiu o calouro. “Mas com todo o apoio e estando em Nova York, as coisas acontecem rápido”, completou.
Mas o jogo, na verdade, não foi um ponto tão fora da curva assim na temporada. Porzingis vem sustentando médias de 12,8 pontos e 8,6 rebotes por jogos, mesmo jogando ‘apenas’ 25 minutos – o técnico Derek Fisher já avisou que planeja seguir o poupando enquanto ele adquire uma forma física melhor para a NBA. Em uma projeção comum feita nos EUA, as médias dele seriam ainda melhor se jogasse 36 minutos, o tempo normal de um jogador tão importante: 18,2 pontos e 12,2 rebotes.
“A parte fácil é jogar um jogo como o de hoje (ontem, diante dos Hornets). O difícil é continuar jogando neste nível”, analisou.
Nada mal para um calouro. Ainda mais um tão criticado.