13/04/2024

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Visto como racista por indígenas, Washington Redskins dá de ombros e se recusa a mudar de nome e mascote

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Do ZigZag do Esporte com agência Efe.

NFL/Washington Redskins.

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Washington Redskins e o mascote da discórdia: franquia não pretende mudar de nome nem de símbolo
Washington Redskins e o mascote da discórdia: franquia não pretende mudar de nome nem de símbolo

Após 80 anos com o mesmo nome, o Washington Redskins, uma das equipes mais tradicionais do futebol americano, é alvo de graves acusações de racismo. A polêmica já adquiriu dimensão nacional e teve até pronunciamento do presidente Barack Obama.

A campanha “Change the mascot” (“Mudem o mascote”), lançada pelo povo indígena Oneida, considera o nome e o mascote da equipe (um aborígine fantasiado com as características plumas na cabeça) uma “ofensa racista” com os nativos americanos.

“Esta é uma mensagem terrível para o resto do mundo, fazer ‘marketing’ a partir de um nome que é um epíteto racial”, indicou o representante do povo Oneida Ray Halbritter, que no começo desta semana foi até Washington para tomar parte do primeiro ato da campanha na capital.

“Este é um nome doloroso que era usado contra minha gente nos tempos nos quais nos apontavam pistolas e nos tiravam de nossas terras. Quando é empregado por um time de futebol profissional, nos denigre perante nossas crianças”, disse Halbritter.

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Indígenas do povo Oneida consideram 'Redskins' algo racista
Indígenas do povo Oneida consideram ‘Redskins’ algo racista

Tão grande foi a polêmica surgida nos últimos dias com relação a essa questão, que inclusive o presidente Obama se pronunciou e apontou que, se ele fosse o proprietário dos “Redskins”, pensaria em uma mudança de nome.

No entanto, o verdadeiro proprietário da equipe, Daniel Snyder, saiu esta semana em defesa do nome através de uma carta aberta no site do clube, na qual sustenta que “Redskins” não tem nenhum tipo de conotação pejorativa em relação aos nativos americanos e que é uma tradição de oito décadas, uma postura que muitos torcedores do clube compartilham.

“Eu gosto do nome como é. Foi assim durante anos e é assim como os torcedores gostam. Por que trocá-lo? Não vejo nada racista no nome, se refere aos indígenas, e tenho orgulho dos indígenas”, explicou à Agência Efe James Hunt, um torcedor dos “Redskins” que corre ao redor do estádio todas as tardes.

“Pessoalmente, não acho que seja um nome ofensivo. Agora bem, os que acham têm o direito de considerá-lo racista”, disse Tina Evans, uma jovem afro-americana que assegura ser torcedora dos “Redskins” desde pequena.

O caso da equipe da capital adquiriu dimensões nacionais por causa da relevância e da histórica dos “Redskins” – três vezes ganhador do Super Bowl, a grande final do futebol americano -, mas são vários os antecedentes em polêmicas deste tipo, especialmente no futebol universitário.

Em 1972, por exemplo, a Universidade de Stanford (Califórnia) foi a pioneira em mudar o nome de seu time, que passou de “Indians” (Índios) e para “Cardinals” (Cardeais), após o presidente da universidade ter recebido várias queixas por parte de estudantes nativos americanos.

Apesar da recusa do clube em mudar o nome, a National Football League (NFL) aceitou sentar e escutar os Oneidas – o comissário Roger Goodell anunciou que se encontrará com eles nas próximas semanas para assegurar que está sendo feito “aquilo que for o mais correto a longo prazo”.

A reunião, que deve ocorrer no dia 22 de novembro, poderia acontecer tanto na cidade de Nova York, onde a NFL tem seus escritórios, como na cidade de Verona, em pleno coração do condado Oneida.

Por sua vez, a equipe não revelou se mandará representantes ou não para dita reunião. “Somos uma nação de pele vermelha. E devemos a nossos torcedores, treinadores e jogadores, do passado e do presente, a preservação desta herança”, concluiu na carta aberta de quarta-feira o proprietário dos “Redskins”, Daniel Snyder.

 

 

 

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