14/07/2024

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Gracies deixam jiu-jítsu e MMA de lado por sonho olímpico em outra luta; confiram e entendam o fato.

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Gracies deixam jiu-jítsu e MMA de lado por sonho olímpico em outra luta.

Maurício Dehò Do UOL, em São Paulo.

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Irmãos Gracie tentam a sorte na luta olímpica.

 

Gregor (e), Igor (c) e Rolles Gracie trocam o uniforme do jiu-jítsu, o quimono, e o calção e luva do MMA pelo da luta olímpica, em busca de um sonho olímpico, na Rio-2016 Leia mais Arquivo Pessoal

A família Gracie cravou seu nome na história ao desenvolver o jiu-jítsu e difundi-lo pelo planeta. E fizeram bem mais no mundo das lutas. Desafiaram rivais de outras artes, criaram o UFC pelas mãos de Rorion Gracie e foram fundamentais para o desenvolvimento do MMA. Mas ainda falta um objetivo: levar o sobrenome do clã às Olimpíadas. A chance de isso acontecer virou realidade, em um novo desafio. O trio formado pelos irmãos Rolles, Igor e Gregor Gracie deixou tudo de lado para tentar uma vaga nos Jogos do Rio, em 2016, pela luta olímpica.

Eles sabem que “largaram atrás” em relação à maioria dos lutadores que tem o esporte como foco principal desde a adolescência, mas consideram que a experiência adquirida no tatame e nas jaulas de MMA pode ter seu valor em busca de um lugar na seleção brasileira. Curiosamente, esta jornada originalmente não envolvia um sonho olímpico, era apenas um desafio do treinador do trio.

Hamid Kermanshah, iraniano ex-campeão mundial de luta, não gosta de ver os pupilos trocando socos no MMA. E, com isso em vista, começou a influenciá-los a tentar a sorte no wrestling, a luta olímpica. Certo dia, ele avisou: “vou inscrevê-los em um campeonato”. E o fez. Em respeito ao mestre e já “pilhados” pelo desafio – e desafio é uma palavra que sempre mexe com o sangue dos Gracie -, eles aceitaram.

“Quem abriu nossos olhos foi nosso treinador. Há um tempo ele falou pra gente que gostaria de nos ver no wrestling. A gente usava a luta para a parte de MMA, mas ele começou a martelar a ideia e aceitamos tentar para ver no que dava. Começamos em novembro e estamos gostando bastante”, explica Rolles Gracie, filho de Rolls e neto de Carlos Gracie. Gregor completa: “Ele não deu muita opção. Falou: ‘se preparem, porque vou inscrever vocês’. Ele só comunicou (risos).”

Desde então, eles lutaram nos EUA e viajaram de Nova York, onde moram, ao Brasil para a Copa Brasil e outros torneios. Foi no contato com o país que decidiram que os Jogos do Rio-2016 seriam o objetivo final. Rolles, de 36 anos, foi o melhor até agora. Na categoria até 125 kg, foi quarto na Copa Brasil. Gregor, de 29 anos, e Igor, 34, lutaram na categoria até 86 kg e foram, respectivamente, sétimo e quinto colocados.

Segundo Rolles, os compatriotas receberam bem ele e seus irmãos, sem ciúmes. Até porque existe a certeza de que eles só vão às Olimpíadas se conquistarem suas vagas no tapete. O trio já participou de uma seletiva para entrar na seleção brasileira de luta olímpica, e Rolles chegou a treinar com a equipe por dez dias, antes de retornar para Nova York.

 

Divulgação/Academia Gracie O que o Hélio e o Carlos achariam de nos ver tentando uma vaga olímpica? Pô, com certeza eles iam ficar amarradões. Meus tios, todos com quem falamos, já acham legal Gregor Gracie, Neto de Carlos Gracie e sobrinho-neto de Hélio Gracie (foto)

 

No momento, o trio deixou de lado as competições de jiu-jítsu e em uma pausa mais longa o MMA, para se dedicar integralmente a luta olímpica. Mesmo que isso possa significar prejuízo no bolso. “Não temos nenhum apoio. Estamos é gastando dinheiro com isso. O que eu tinha juntado, está indo embora (risos). Mas é normal”, comentou Rolles, 8 vitórias e 3 derrotas no MMA. Gregor, 7 vitórias e quatro derrotas, concorda: “É… Eu ganharia muito mais lutando no MMA ou até dando aulas de jiu-jítsu. É caro, tem que viajar. Estamos pagando para lutar, mas é um sonho que vale a pena seguir”. O terceiro irmão, Igor, tem cinco triunfos e quatro reveses. Todos eles perderam suas últimas 2 lutas no MMA.

O que Carlos e Hélio achariam?

Motivação é a palavra de ordem para os irmãos neste momento, em que tem de apertar o passo e lutar ainda mais que seus rivais para chegar ao objetivo. E honrar o legado da família também faz parte disso.

“O que o Hélio e o Carlos achariam de nos ver tentando uma vaga olímpica? Pô, com certeza eles iam ficar amarradões. Meus tios, todos com quem falamos, já acham legal. É um grande desafio, e a família a vida toda gostou de desafios, de se testar em todas as modalidades. É só mais um, e até maior por envolver uma Olimpíada”, diz Gregor.

O caçula do trio admite que ainda tem muito a aprender. “É completamente diferente. Na verdade, até hoje eu nem sei todas as regras, volta e meia pergunto para os outros, procuro saber. A velocidade é mais dinâminca e a luta pode acabar bem mais rápido, qualquer falha e acaba. O jiu-jítsu começa mais lento, é difícil a luta acabar rápido. Agora, deu mole, encostou as costas e acabou”, explica ele.

Rolles e seus irmãos consideram que a base no jiu-jítsu e os treinos de wrestling voltados ao MMA formam uma boa base para que eles se recuperem do “atraso” em relação aos atletas naturais da luta olímpica. “Não deixa de ser luta. Essa parte de alavanca, de técnica, dá para levar e ainda botar alguns conceitos do jiu-jítsu para a luta olímpica.”

Rolles pode fechar legado do pai

A relação entre o jiu-jítsu e a luta olímpica é de longa data. Primeiramente em forma de rivalidade. A turma da arte suave tratava os praticantes do wrestling como inimigos. No Rio de Janeiro, a relação era quente a ponto de resultar em brigas, conforme conta a biografia “Carlos Gracie – O Criador de uma Dinastia”.

O que mudou o status deste relacionamento foi a tentativa de trégua entre as partes, para que as diferenças fossem resolvidas no tapete. A família Gracie resolveu tentar a sorte na luta olímpica, com Rolls Gracie, filho de Carlos, liderando a empreitada.

O problema é que ele morreu jovem, no início da década de 1980, em um acidente de asa-delta, e o trabalho não teve continuidade, apesar de esta época ter sido influente para a criação da primeira seleção brasileira de luta olímpica.

“Com certeza o fato do meu pai ter competido no wrestling colaborou muito para minha decisão de fazer o mesmo, ele mostrou que isso é possível”, disse Rolles.

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