18/04/2026

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Acordo falha, e Chapa Azul racha de vez no Flamengo; confira.

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Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br.

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Bandeira de Mello e Wallim: antes aliados, agora opositores políticos
Bandeira de Mello e Wallim: antes aliados, agora opositores políticos

O caldeirão político rubro-negro que já andava quente nas últimas semanas borbulhou de vez na madrugada desta quinta-feira com o rompimento claro das duas partes da Chapa Azul. Posicionaram-se em lados opostos o atual presidente, Eduardo Bandeira de Mello, e o agora ex-vice de patrimônio, Wallim Vasconcellos, candidato ao pleito do fim do ano. Uma cisão desenhada, mas que teve no encontro derradeiro propostas de parte a parte recusadas na busca pelo entendimento.

Bandeira de Mello oficializou no encontro entre a cúpula do clube que será mais uma vez candidato. Apoiado por outros vice-presidentes, como Flávio Willeman (jurídico), Rafael Strauch (Fla-Gávea) e Cláudio Pracownik (Administração), o grupo do presidente fez uma oferta a Wallim e seus aliados: o presidente seria candidato à reeleição, com o então vice de patrimônio como vice. O grupo não aceitou e levantou a ideia oposta: sair como candidato e ter Bandeira de Mello como vice-presidente, com a possibilidade de que Luiz Eduardo Baptista, o Bap, ex-vice de marketing e desafeto do presidente, não tivesse cargo oficial na gestão. Bandeira recusou a investida.

Com isso, os lados ficaram mais claros na política rubro-negra. Mas ainda assim o presidente rubro-negro ficou com uma tarefa difícil nas mãos. Wallim tem ao seu lado aliados como Rodrigo Tostes (vice de finanças), Rodolfo Landim (planejamento), Gustavo Oliveira (comunicação) e Carlos Langoni (reestruturação da dívida). Nenhum deles entregou o cargo, como Wallim. Todos, mesmo com ideia contrária ao grupo do presidente, pretendem permanecer nas funções até a eleição. Caberia a Bandeira se desgastar politicamente e destitui-los do cargo com uma canetada. Na divisão, apenas o vice de esportes olímpicos, Alexandre Póvoa, não tomou partido e tem bom trânsito em ambos os lados.

Internamente, Wallim e aliados defendem a ideia de que formaram-se dois grupos dentro da gestão que iniciou o comando do clube em 2013. O primeiro, com Bandeira à frente, seria político, na busca de manter o poder quebrando um suposto pacto de rodízio acertado pela Chapa Azul em 2012. O segundo, com Wallim e Bap, acredita ser o grupo responsável pela gestão, garantindo pretender tocar projetos como viabilização de estádio próprio, internacionalização da marca e recuperação financeira. A lógica, claro, não vai de acordo com o pensamento do grupo do presidente.

Na visão de Bandeira de Mello e seus aliados, o sistema de rodízio de candidatos, visando fortalecer a ideia de grupo e não personificar o trabalho de reestruturação do clube, nunca existiu. Por ter apoio da maioria dos vice-presidentes, o mandatário considera ser o nome de consenso para se manter no cargo. Não é o que acreditam Bap, Wallim e aliados. Na reunião, o agora grupo opositor lembrou que o acordo de rodízio foi sacramentado no início da Chapa Azul, em 2012, quando Bandeira de Mello ainda não era o nome para concorrer com Patricia Amorim. Bandeira entrou para o grupo quando Wallim acabou impedido de concorrer ao pleito por problemas estatutários.

O primeiro a demonstrar publicamente incômodo com Bandeira de Mello foi Bap. Homem-forte da gestão do clube, ele renunciou ao cargo de vice de marketing e deixou a administração por considerar que o presidente ignorara decisões estratégicas, como na guerra contra a Ferj pelo preço de ingressos no Carioca, previamente acertadas no conselho do clube. Até então, o ex-vice de marketing trabalhava pela reeleição de Bandeira, sem dissidências. Houve, ainda, duas reuniões anteriores em que o apoio a Bandeira foi mantido. A saída oficial de Wallim, no entanto, mudou o panorama. E emoldurou o esboço do racha política que a Gávea já vivia há alguns meses. De uma eleição a outra, a Chapa Azul abraçou ganhou tom cinza na Gávea.

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