03/03/2024

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Zico detona o futebol no Catar: ‘É um passo para você ir para lugar nenhum’

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Zico chegou ao Al Gharafa em agosto, empolgado com a chance de repetir o trabalho que conseguiu no Japão.

Do ZigZag do Esporte/Futebol do Catar.

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Zico chegou ao Al Gharafa em agosto
Zico chegou ao Al Gharafa em agosto, empolgado com a chance de repetir o trabalho que conseguiu no Japão

No Japão, Zico se tornou um ícone da profissionalização do futebol local, após anos de sucesso, tanto em campo, quanto fora dele. Décadas mais tarde, o Galinho vive aventura parecida no futebol semi-amador do Catar. As perspectivas do trabalho, no entanto, em sua própria visão, são bem diferentes.

Em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, Zico não poupou palavras para descrever o que tem vivenciado no país que será sede da Copa do Mundo de 2022. O treinador do Al Gharafa, que também tem o brasileiro Nenê, ex-PSG, afirmou que não vê para onde o futebol catari pode crescer.

“Aqui tudo funciona, tem toda a infraestrutura. O país para viver é tranquilo. Tem as regras, a cultura, como em qualquer lugar, que você tem de respeitar. Só que, em um país que pretende realizar a Copa, eu pensei que ia encontrar mais profissionalismo. Foi a única coisa que não encontrei”, afirmou.

“Dá a impressão de que o jogador de futebol está ali por obrigação. Tudo está à frente. Então você traz profissionais de fora, paga-se muito bem, mas os estádios estão vazios, não dá motivação nenhuma. E daqui é um passo para você ir para lugar nenhum”, acrescentou o treinador.

Para Zico, a religião é uma das coisas que acaba interferindo na profissionalização do futebol local. “O clima já não ajuda. Aí, no intervalo do jogo, o jogador tem de fazer a reza dele. Você tem de esperar. Eu peguei isso na Turquia, mas lá eles colocavam o futebol na frente. Pediam permissão a Alá e no dia do jogo eles se alimentavam. Aqui você vai treinar e tem três caras em jejum. O futebol, infelizmente, não comporta isso”.

Sobre as chances da seleção do país na Copa do Mundo, Zico não se anima. “Acho que o Catar tinha de entrar para competir já na Rússia. Mas, do jeito que está, não vai. Não vão evoluir com essa falta de profissionalismo. Aqui já não tem muita gente. Em todos os times, a maioria não é do Catar. Tudo naturalizado. Isso não tem sentido”.

Há três meses no Catar, o ex-craque do Flamengo também é receoso sobre a realização da Copa de 2022 no país durante o verão. “Dinheiro não é problema, mas em junho não tem a menor condição. Período de julho não dá. Falam dos estádios com ar condicionado. O problema é que Copa do Mundo não é só o jogo. Como é que você vai treinar? Não vejo possibilidade. Junho, julho aqui é um forno. Não dá para sair de casa. Faz 50 graus”.

Para concluir, Zico também falou sobre os grandes nomes que se aventuram no Catar para jogar. “É fim de carreira. Não tem perspectiva. Daqui você não sai para lugar nenhum. Um cara que está em boa fase, em bom momento, não recomendaria vir para cá de jeito nenhum, de jeito nenhum”, encerrou.

 

Fonte: espn.com.br

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