29/05/2024

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CBV paga braço direito de Ary Graça como pessoa jurídica e física

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Por Lúcio de Castro, especial para o ESPN.com.br.

Mesmo depois de, oficialmente, deixar a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e constar como dono das três empresas S4G que prestam serviço para a entidade, Fábio Azevedo manteve vínculos como pessoa física e recebeu verbas da instituição para pagar despesas. É o que mostram as contas apresentadas ao Ministério do Esporte para obtenção de convênios. O fato ocorreu diversas vezes. Assim, o braço direito de Ary Graça recebia da CBV como pessoa física para pagamentos de contas e ainda como pessoa jurídica em diversos pagamentos que a S4G recebeu ao longo dos últimos anos.

A prestação de contas ao Ministério do Esporte mostra diversos pagamentos da CBV para Fábio Azevedo em despesas pequenas. Embora os pagamentos da CBV para Fábio Azevedo como pessoa física não sejam suficientes para caracterizar o mesmo como funcionário da entidade nem tampouco que tenham sido feitos com recurso proveniente do convênio com o Ministério do Esporte, a eventual comprovação de vínculo e da origem poderia representar a suspensão dos convênios com o Ministério do Esporte, já que a legislação proíbe a um conveniado a utilização de recursos provenientes dos acordos para assinar contratos com empresas que “pertençam e/ou tenham participação societária de parentes de dirigentes ou funcionários da entidade proponente”. Só no ano passado, foram cerca de R$ 41 milhões oriundos do Ministério do Esporte para projetos de quadra e praia da modalidade, a serem usados nesta temporada. Além da milionária e também estatal verba do Banco do Brasil, estimada em R$ 60 milhões em 2012. A reportagem entrou com três pedidos de Lei de Acesso à Informação.


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Além de constar como dono de empresas prestadoras de serviço para a CBV e receber como pessoa física da entidade, Fábio Azevedo é hoje Diretor Geral da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), presidida por Ary Graça. Depois de chegar a superintendente da CBV, teria, oficialmente, deixado a entidade para abrir, em 10 de setembro de 2010, a S4G Gestão de Eventos. Três meses depois, em dezembro, a CBV já contratava a S4G “por notória especialização”. Poucos meses depois, no dia 12 de abril de 2011, o atualmente Diretor Geral da FIVB, abre mais dois braços da S4G, ficando a S4G com três CNPJs, sendo os outros dois “S4G Gestão de Negócios” (responsável pelos dois contratos aqui citados) e “S4G Planejamento e Marketing”. Os três CNPJs da S4G tem como sede a cidade de Saquarema. A “S4G Gestão de Negócios” foi registrada em 12 de abril de 2011 no Cartório do Ofício Único de Saquarema e três dias depois, em 15 de abril, já fechava com a CBV os dois contratos no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) cada um. As reportagens anteriores mostraram que, caso os contratos da S4G e CBV tivessem ido adiante e não tivessem sido suspensos, valeriam RS 10.000.000,00 (dez milhões de reais) até 2017.

Além das comissões, o “Dossiê Vôlei” revelou, no dia 11 de março, que contratos com a S4G tinham, em sua cláusula sexta, algo a mais: pagamento mensal, “a título de remuneração fixa”, de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), reajustados pelo IGPM anualmente. Ou seja: o braço direito de Ary Graça tem, como pessoa jurídica, via S4G, remuneração fixa da CBV e ainda tem algumas contas pagas pela CBV como pessoa física.


Braço direito de Ary Graça, Fabio Azevedo recebia da CBV como pessoa física para pagamentos de contas
Braço direito de Ary Graça, Fabio Azevedo recebia da CBV como pessoa física para pagamentos de contas

Questionada para esta reportagem sobre a razão de pagamentos para Fábio Azevedo como pessoa física, a CBV respondeu que “todos os últimos pagamentos feitos pela CBV constam nos balanços da Confederação dos anos de 2012 e 2013; o balanço de 2012 foi auditado pela empresa KPMG; o balanço de 2013 da CBV foi auditado pela empresa RSM ACAL; os dois balanços foram submetidos ao Conselho Fiscal da CBV e, posteriormente, aprovados em Assembleia Geral Ordinária”.

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