21/07/2024

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Na mira da prefeitura, mijões dominam praia na Fan Fest de Salvador.

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Vagner Magalhães Do UOL, em Salvador.

Na mira da prefeitura, mijões dominam praia na Fan Fest de Salvador

Ao fim da partida, praia da Barra se transformou em um banheiro público Vagner Magalhães/UOL

Bastou o juiz apitar o fim do primeiro tempo da partida em que o Brasil venceu Camarões por 4 a 1 para que dezenas de torcedores que acompanhavam o jogo por um telão no Farol da Barra, em Salvador, começassem a descer o morro, em direção à praia. Aos poucos, uma barreira começou a ser formada e tranquilamente, todos começaram a urinar. Durante os 15 minutos de intervalo era gente subindo e descendo, sem cerimônia, para cumprir o mesmo objetivo. Ao fim do jogo, a cena se repetiu, com um número ainda maior de pessoas.

No local, havia mais de duas dezenas de banheiros químicos, instalados a apenas alguns metros da cena. Pior que isso, muita gente aproveitou a barreira formada pelos banheiros para urinar atrás deles, sem que pudessem ser vistos por quem estava do outro lado. Cena comum nas cidades brasileiras em que há grande aglomeração de pessoas, Salvador promete tratar o problema de maneira mais enérgica.
Depois da Copa, dois decretos municipais devem começar a valer para punir aqueles que fazem xixi na rua ou joguem lixo nas vias públicas. De acordo com o prefeito ACM Neto (DEM), uma campanha de conscientização da população deverá ser lançada logo depois do Mundial. A prefeitura promete multar aqueles que forem flagrados cometendo as infrações, mas o valor da multa ainda não foi divulgado.
Perguntados sobre a prática, os moradores de Salvador, além de alguns turistas, se esquivam de uma resposta convincente para o ato. Elas vão desde o “estava muito apertado” ao “na fila eu não ia aguentar”. Passa também pelo “o que há de errado nisso?”. “Tinha uma moitinha ali. Não faz mal a ninguém”, disse um deles, enquanto fechava o ziper da bermuda com uma mão e tomava mais um gole de cerveja com a outra.
Há, porém, gente que além de não tolerar o ato, reage de forma desproporcional. Na madrugada deste domingo, o estudante de engenharia Pietro Calixto Silva, 22, foi baleado por um homem no centro histórico da cidade. Levou um tiro na coxa, de um desconhecido, enquanto urinava no muro de uma casa.
Em depoimento à polícia, ele disse que acompanhava uma apresentação da festa de São João, no Pelourinho, quando se afastou até uma viela deserta para urinar. De um casarão abandonado saiu um homem não identificado, que disparou duas vezes. Um tiro atingiu o chão, o outro, a perna do rapaz.
Na traseira de alguns ônibus da cidade, uma campanha de mídia pede para que o hábito seja abandonado na cidade. Com o slogan “quem faz xixi na rua é cachorro”, o anúncio é ilustrado por um homem urinando num poste, com uma fila de cães atrás dele.
Até a tragédia ocorrida em 2007, quando sete pessoas despencaram da antiga Fonte Nova, em um jogo do Bahia, teve a urina humana apontada, aliada com a falta de manutenção, como responsável pelo desabamento de parte das arquibancadas. A acidez da urina ajuda a corroer o ferro das construções.
Em 2009, um viaduto e cinco passarelas tiveram de ser reparadas por conta do problema, ao custo de R$ 500 mil. O problema é antigo e fica mais evidente durante o Carnaval na cidade. A prática é tão disseminada em Salvador que, quando o Google Street View de Salvador foi lançado, em 2012, uma das principais diversões era localizar os “mijões” nos cantinhos das imagens. Tarefa bastante tranquila para quem se dedicou a ela.

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