19/05/2024

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Jamaica usa quase cinquentão por nova façanha “abaixo de zero” no bobsled

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Winston Watts dirige trenó para dois homens nos Jogos de Salt Lake City em 2002: ele está de volta!

Do ZigZag do Espoerte.

 bobsled jamaicano.

  • Getty ImagesWinston Watts dirige trenó para dois homens nos Jogos de Salt Lake City em 2002: ele está de volta!Winston Watts dirige trenó para dois homens nos Jogos de Salt Lake City em 2002: ele está de volta!

Um filme da Disney de 1993 popularizou uma das aventuras mais improváveis da história do esporte, ao retratar os jamaicanos que disputaram os Jogos de Inverno de 1988 no bobsled. Vinte e cinco anos depois da histórica e desastrada primeira aparição em Calgary, os homens velozes do Caribe querem voltar a uma Olimpíada, agora guiados pela determinação inabalável de um piloto quase cinquentão.

Aos 46 anos, Winston Watts trabalha por uma nova “Jamaica Abaixo de Zero”, como o filme que contou a história dos percussores do país ficou conhecido no Brasil. No entanto, o atleta que vive e treina nos Estados Unidos diz que a fase folclórica e inocente do bobsled jamaicano ficou para trás. O veterano promete qualidade se conseguir a classificação para os Jogos de Sochi, na Rússia, que acontecem em fevereiro de 2014.

“Lidamos com muitas piadas no passado, que nosso país não tem neve e tal. Mas mostramos ao mundo que somos atletas sérios. Hoje temos mais fonte de dinheiro, bons trenós, boas lâminas de competição e pessoas para viajar”, afirmou Watts em entrevista ao UOL Esporte por telefone.

QUEM É WINSTON WATTS?

 

A Jamaica tem o homem mais rápido da história, com Usain Bolt e seus recordes nos 100 m e 200 m, mas os velocistas de ponta do país não estão habituados a correr em superfícies de gelo, por motivos óbvios – é mais fácil nevar no Sul do Brasil todo ano do que uma única vez no Caribe.

Com essa ressalva feita, introduz-se então o histórico do bobsled jamaicano pela estreia nos Jogos de Inverno de Calgary, com um acidente feio, quando o quarteto do país teve que completar o percurso a pé após um tombamento na terceira descida [mas sem carregar o trenó nos ombros, como o filme da Disney exibiu, em uma licença poética]. Depois deste episódio, outras nações de temperaturas quentes se aventurariam na modalidade, como o próprio Brasil.

Em seguida o time capitaneado por Dudley Stokes [hoje presidente da federação] conseguiu ir às duas Olimpíadas posteriores (Albertville-92 e Lillehammer-94) e chegou a alcançar a 8ª posição no ranking internacional. Mas a geração pioneira se aposentou e deixou a Jamaica com uma lacuna de desenvolvimento em sua improvável aventura gelada.

Com classificações frustradas da Jamaica para as duas últimas Olimpíadas (Turim-2006 e Vancouver-2010), Watts resolveu abandonar a aposentadoria há três anos em busca de uma nova façanha do bobsled do país. O elemento de surpresa ao mundo dos esportes de inverno não estará mais na inocência caribenha, de atletas quase sem experiência. Agora o veterano quer impressionar com seu preparo físico incomum para homens de sua idade.

“Tenho boa forma, não pareço uma pessoa de 46 anos. Vou mostrar ao mundo que posso, com determinação em executar meus objetivos”, comenta Watts, que diz ter no arroz e feijão de sua mãe um dos segredos de preparação: “ela é muito boa chef, faz uma boa comida”.

Watts se prepara para a qualificação de Sochi com a lembrança dos Jogos de 2002 na cabeça. Em Salt Lake City, o piloto atingiu o apogeu do bobsled jamaicano, ao lado de Lascelles Brown. A parceria estabeleceu o então recorde olímpico e mundial para o trecho de arrancada, em competição de trenós de dois homens, com 4.78 segundos.

Atualmente o piloto da equipe jamaicana reside em Evanston, no estado norte-americano de Wyoming. Lá conta com o auxílio de empresários locais, que adotaram afetivamente o sonho do bobsled jamaicano de voltar a uma Olimpíada. Mesmo assim, não é o bastante. Recentemente Watts viajou a seu país para uma tentativa de encontro com o primeiro-ministro, com a meta de pedir um incentivo financeiro. O veterano não conseguiu a reunião, mas voltou para casa com outra promessa.

“Eu estou procurando patrocinadores. Eu não tenho patrocinador principal. É muito importante ter um patrocinador para ir às Olimpíadas, custa muito dinheiro. Não falei com o primeiro-ministro, mas conversei com o presidente do Comitê Olímpico jamaicano. Foi muito bom, ele disse que pode ajudar a gente”, afirmou.

A federação internacional de bobsled usa um sistema de ranking para determinar a classificação dos países para a Olimpíada, de acordo com a performance em um período pré-estabelecido. A Jamaica tenta a vaga nos trenós para quatro e dois homens, mas o êxito parece mais provável nesta última disputa. Watts está envolvido em ambas as frentes.

Segundo o piloto, a presença nos Jogos de Sochi depende do desempenho do time em um evento em novembro. Watts diz que o fato de os companheiros residirem na Jamaica não é um problema. “Tenho uma equipe de cinco pessoas. É uma equipe muito boa. Só um mora nos EUA, o resto está na Jamaica. São muito mais jovens do que eu”, diz o atual número 47 do mundo nos trenós de dois homens.

Hoje Watts encarna o papel de coração do sonho maluco jamaicano, que em 1988 foi inspirado pelo empresário norte-americano George Fitch [personagem vivido pelo comediante John Candy no cinema]. Naquela oportunidade foi ele quem plantou na cabeça de jovens velocistas do Caribe que era possível fazer história correndo no gelo. Vinte e cinco anos depois, os homens rápidos da terra de Bolt buscam uma nova descida de trenó para ser lembrada, mas agora sem momento pastelão.

 

Fonte: Bruno Freitas Do UOL, em São Paulo

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