15/04/2024

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Ano das bruxas: UFC fecha ano com piores vendas desde 2005 e queda de valor de 40%. Entenda o fato.

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A árvore de Natal de Dana White e da família Fertitta esteve bem mais vazia que o esperado neste final de ano. Afinal de contas, o tão propagado crescimento do UFC, que sonha em ser um dia maior que o futebol, recebeu um duro golpe em 2014.

Igor Resende, do ESPN.com.br.

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Dana White fecha um ano com resultados ruins em vendas e nos lucros
Dana White fecha um ano com resultados ruins em vendas e nos lucros

A árvore de Natal de Dana White e da família Fertitta esteve bem mais vazia que o esperado neste final de ano. Afinal de contas, o tão propagado crescimento do UFC, que sonha em ser um dia maior que o futebol, recebeu um duro golpe em 2014. Pela primeira vez em anos, a Zuffa (empresa que administra o Ultimate) vai fechar com queda de valor. E o principal indicador de interesse, as vendas de pay per view, também despencaram bruscamente.

Foram 13 eventos programados de pay per view para 2014 – este são os chamados eventos numéricos (o UFC 180, o 181 e assim por diante). Um deles acabou cancelado, graças à lesão de José Aldo em agosto que adiou a revanche contra Chad Mendes. As quatro últimas edições do ano ainda não têm números consolidados, mas, mesmo nas melhores perspectivas, o UFC vai fechar com quase metade das vendas que teve em 2013. E com o pior desempenho desde 2005.

Aos números: foram 3.225.000 pacotes vendidos em 2014 – e pouco mais de um milhão deste número é considerando as melhores expectativas para os quatro últimos eventos do ano. Em 2013, o UFC vendeu 6.075.000 em pay per view. No auge, o Ultimate quase bateu os 9 milhões em 2010.

Os números individuais de cada evento explicam a péssima soma final. Duas edições de 2014 tiveram o pior desempenho no pay per view desde o UFC 53, em junho de 2005. Os embates entre Demetrious Johnson e Ali Bagautinov e entre TJ Dillashaw e Joe Soto não empolgaram nem um pouco e venderam apenas 115 e 125 mil pacotes.

Nem mesmo o evento mais prestigiado de 2014 chegou perto das glórias passadas. O desafio de Lyoto Machida ao cinturão de Chris Weidman vendeu 545 mil pacotes. Como base de comparação, a revanche entre o mesmo Weidman e Anderson Silva, em dezembro do ano passado, vendeu mais de um milhão.

A baixa no pay per view, claro, doeu nos bolsos. Mesmo que há tempos essa não seja a única forma de lucro do UFC – os milionários patrocínios e, principalmente, o contrato com uma das maiores redes de TV aberta dos EUA livraram Dana White e cia. da dependência dos pacotes vendidos. Segundo levantamentos de novembro, a Zuffa deve fechar o ano com uma queda de 40% no faturamento.

E tudo isso em um ano que o UFC esteve mais presente que nunca. Foram nada menos que 45 eventos no ano – sem contar o que acabou cancelado – que resultaram em 503 lutas.

Os resultados, porém, são a maior prova de que quantidade é muito diferente de qualidade. E, às vezes, podem significar até um retrocesso enorme. Com muitas lutas, os eventos ficaram cada vez mais cheios de atletas que ainda não atraem a atenção do grande público. Pior: os astros passaram a ser pressionados a entrar mais vezes em ação e acabaram atuando bem menos graças às lesões. Foram apenas 15 lutas por cinturão em 2014.

A expansão internacional também cobra seu preço. Em um primeiro momento, pelo menos, é necessário fazer investimentos e esperar por lucros futuros quando se pisa em outro país. E o UFC vem tentando expandir seus ramos como nunca.

O UFC não se mostra tão preocupado assim com a queda nos números. Mas já começa a tomar atitudes para mudar o rumo. Prova disso são as contratações de CM Punk e Rampage Jackson, trazidos muito mais pelo poder midiático do que pelas habilidades de luta.

A expectativa é de que o ano de 2015 reverta tudo novamente e recoloque o UFC nos trilhos. Se isso acontecerá, ninguém sabe. Mas uma cosia é certa: dificilmente os números serão tão ruins como em 2014.

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