18/04/2024

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Os tubarões também são uma ameaça para Medina na temporada de 2015; confira.

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Além dos rivais que esperam derrubar o brasileiro do posto de melhor surfista do mundo, tubarões podem ser um empecilho. A vasta costa do país – que torna o lugar um dos melhores para se surfar no mundo - é lar de algumas das mais perigosas espécies da vida marinha: são tubarões, águas vivas mortais, como a box jellyfish e Irukandji, e até crocodilos de água salgada.

Debora Miranda Do UOL, em Sydney (AUS).

  • Reuters

    Tubarão-branco: a mais temida das quatro espécies existentes no litoral australianoTubarão-branco: a mais temida das quatro espécies existentes no litoral australiano

A Austrália será o lugar onde Gabriel Medina começará a defender seu título no circuito Mundial em 2015 a partir de final de fevereiro. Além dos rivais que esperam derrubar o brasileiro do posto de melhor surfista do mundo, tubarões podem ser um empecilho. A vasta costa do país – que torna o lugar um dos melhores para se surfar no mundo – é lar de algumas das mais perigosas espécies da vida marinha: são tubarões, águas vivas mortais, como a box jellyfish e Irukandji, e até crocodilos de água salgada.

Com a etapa australiana do WCT chegando, as provas no país, especialmente em Margaret River, na Austrália Ocidental, eleva-se a preocupação com ataques a surfistas, já que o estado tem o maior número de ataques a banhistas da Austrália. O campeonato pode ser adiado ou interrompido se algum tubarão for visto nas praias da competição.

Cinco casos fatais aconteceram em 2014 no país, sendo três deles na Austrália Ocidental. A Sydney’s Taronga Conservation Society contabilizou 976 ataques  desde de 1791, sendo 232 fatais. Segundo o Australian Geopraphic Institute, um quarto dos ataques deixam vítimas fatais.

Em março do mesmo ano, um tubarão branco foi capturado e morto próximo ao local do QuickSilver Pro e Roxy Pro em Gold Coast, Queensland, onde Medina começará sua caminhada em 2015. O animal foi abatido para que a competição pudesse ser retomada. Em maio, durante outra etapa do WCT na África do Sul, outro tubarão branco foi visto pelo surfista Dan Ross, causando o atraso da prova e fazendo os competidores voltarem para a areia.

Segundo o site oficial do WCT, algumas etapas podem ser mudadas de local se as condições naturais não permitirem que o evento seja realizado. Margareth River e Gold Coast fazem parte dos lugares que podem ser realocados pela presença dos visitantes aquáticos.

Conhecendo as feras

Quatro espécies de tubarões são os maiores responsáveis por ataques na costa australiana. No entanto, a chance de ser atacado é muito menor do que ser atropelado, atingido por um raio ou picado por uma das aranhas venenosas que habitam o país. Conheça algumas características dos grandes predadores:

Grande tubarão-branco

A mais temida das espécie após “Tubarão” de Steven Spielberg, os grandes tubarões-brancos podem chegar a seis metros de comprimento, 1.5 toneladas e são considerados ferozes, agressivos e letais. O animal possui um olfato potente e consegue sentir a presença de uma gota de sangue a 100 metros de distância. O último ataque letal ocorreu em setembro de 2014 em Byron Bay, ao norte do estado de Nova Gales do Sul, e a presença dessa espécie tem sido constante no litoral do país.

Tubarão-tigre

Encontrado no oeste da Austrália a Nova Gales do Sul, essa espécie e considerada equivalente ao tubarão-branco em águas tropicais. Agressivo, pode chegar a seis metros e se alimenta de uma notável variedade de animais como focas, tubarões menores e até tartarugas. A espécie  tem ganho recente notoriedade devido à ataques a mergulhadores e surfistas no Hawaí.

Tubarão-touro

O tubarão-touro tem uma mordida mais poderosa que os tubarões-brancos, de cerca de 6.000 newtons. Com uma média de dois metros de comprimento, costuma atacar presas grandes como golfinhos, tartarugas e outros tubarões. Apesar da força e agressividade, os ataques são menos frequentes.

Tubarão-cobre

Curiosos, esses tubarões chegam a 2,5 metros e vive em águas doces e salgadas. Os ataques a humanos não são frequentes se não provocado, mas a espécie está em sexto lugar no ranking geral de ataques a banhistas no mundo.

“Repelente” para tubarões e o culling

A tecnologia pode ser uma aliada na proteção contra os animais. A University of Western Australia, em Perth, está desenvolvendo desde 2010 um “repelente” para tubarões que os afastaria das praias mais movimentadas.

O aparelho envolve um sistema de sinais eletrônicos parecido com um sonar que irritaria os animais os mandariam para longe da costa e das redes de proteção colocadas em torno das praias mais populares. O projeto ainda está em fase de testes.

O atual ministro do Meio Ambiente, Greg Hunt, causou uma grande polêmica ao aprovar a matança de tubarões na Austrália Ocidental para tentar conter os ataques a banhistas, levando os australianos a protestarem contra as medidas tomadas pelo governo. O culling, como é chamada a matança seletiva de algumas espécies, capturou 172 animais em poucas semanas, entre eles 50 tubarões-tigres que foram mortos por ganchos e tiros de arpões e rifles.

Grupos de defesa dos animais afirmam que o governo está enxergando apenas o lucro trazido pelos turistas e não pensa no futuro da vida aquática e do equilíbrio que os tubarões trazem aos oceanos.

“Matar os tubarões é uma maneira antiga de tentar controlar a natureza”, afirma Tooni Mahto, bióloga marinha e ativista da Sociedade Australiana de Conservação da Vida Marinha.

“A maioria dos surfistas e banhistas estão cientes dos perigos que correm ao entrar no mar e a comunidade do surfe é formada por pessoas que desejam estar perto da vida selvagem e se posicionam contra qualquer ataque à vida marinha”.

Evitando ataques

Tooni também deu algumas dicas para evitar ataques. A Austrália tenta proteger banhistas e tubarões com algumas simples dicas:

– Nade nas praias que são patrulhadas por salva vidas, e sempre cheque ao pular de rochas ou paredões de pedra na água: “Já tivemos casos de pessoas pulando em cima de tubarões”, contou Tooni;

– Evite nadar, surfar ou praticar caiaque sozinho. Estar em um grupo pode evitar um ataque, pois tubarões preferem presas fáceis e um grupo intimida o animal. Muitas mortes também acontecem pela longa espera por socorro;

– Não nade em águas turvas. Tubarões não possuem uma boa visão e podem atacar humanos quando se sentem ameaçados ou estão procurando por comida;

– Cuidado após tempestades: chuvas e correntezas podem trazer iscas e peixes para perto do litoral e atrair os animais;

– Evite atividades aquáticas após o pôr do sol e antes de amanhecer. Este são os horários que a maioria das espécies se alimentam;

– Se um tubarão se aproximar e o ataque for inevitável, prepare para se defender:  “A melhor maneira é tentar golpear o tubarão no focinho ou olhos”, finaliza.

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