19/04/2024

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Chefão da Copa deve trocar Ministério do Esporte por vôlei. Entenda o fato.

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Lúcio de Castro, do Rio de Janeiro (RJ).

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Ricardo Trade é o diretor-geral do COL
Trade deve trocar cargo no Ministério do Esporte, que sequer assumiu, por outro na CBV 

Ricardo Trade, o Baka, deve ser apresentado nos próximos dias como Superintendente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Uma espécie de CEO da entidade, que, por questões estatutárias, segue tendo um presidente eleito em assembleia, que será realizada no próximo mês.

Faltam apenas alguns detalhes para a confirmação oficial. O principal é que Trade precisa compor da melhor forma a saída de um cargo que sequer assumiu. É que no dia 20 de janeiro, o executivo foi anunciado como o novo Secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte.

Como vinte dias depois a nomeação ainda não tinha saído no Diário Oficial, a reportagem entrou em contato com o Ministério do Esporte no dia 10 de fevereiro para saber a razão da demora para a publicação.

Na ocasião, no próprio dia 10 de fevereiro, em resposta, por meio da assessoria de comunicação, o ministério informou que “a nomeação deve sair nos próximos dias”. Enquanto isso, Trade costurava a ida para a CBV.

Sendo confirmada a ida de Trade para a CBV, provavelmente o Ministério do Esporte fica com o papel de último a saber no enredo.

Aguardando a tomada do assento enquanto o secretário que foi sem nunca ter sido se acertava para outro cargo.

Trade também tem assumido o compromisso de consultoria, por meio de sua empresa, para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

As duas opções

De acordo com comentários de bastidores, a necessidade de um CEO vindo de fora foi identificada em consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em função do abalo de credibilidade sofrido pela CBV após as denúncias de corrupção e malversação de verbas na entidade publicadas no “Dossiê Vôlei” e confirmadas e ampliadas no relatório da Controladoria Geral da União (CGU).

Não são ainda conhecidos os critérios para que se chegasse aos nomes da ronda final que acabou definindo Trade. De acordo com informações, a escolha ficou entre dois nomes: Ricardo Trade e José Carlos Fardim.

José Carlos Fardim, atualmente na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), era o superintendente da entidade. Braço direito de Ary Graça na CBV no período das denúncias.

De acordo com o relatório da CGU, Fardim “era funcionário da CBV até o dia anterior de sua empresa ser contratada (nota fiscal de R$ 1.037,00 – um milhão e trinta e sete reais)”. Ainda: “Era contador de uma das empresas do ex-presidente da CBV” e também “Esposa aluga imóvel para CBV”, além de ter “solicitado emissão de passagens aéreas para sua esposa para interesses particulares”.

O histórico de Trade

Já o escolhido, Ricardo Trade, o Baka, vem de sucessivas controversas experiências em gestão. Os três mais emblemáticos casos de estouro de orçamento e prazos não cumpridos na história recente do país têm também a digital do executivo: Pan-Americano do Rio de 2007, Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Entre novembro de 2005 e dezembro de 2007, trabalhou na organização dos Jogos Pan-Americanos do Rio, sendo gerente geral de serviços e depois diretor de operações do “Rio 2007”, sempre sob as bênçãos de Carlos Arthur Nuzman.

Entre janeiro de 2008 e maio de 2010, foi o diretor do Rio 2016, Jogos Olímpicos, saindo para assumir o posto de CEO do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, entre maio de 2010 e dezembro de 2014.

As sucessivas nomeações e a vertiginosa carreira de Baka, disputado no momento entre a Secretaria de Alto Rendimento do Ministério do Esporte e a CBV, na qual terá a missão de resgatar a credibilidade perdida, planejar e dar transparência, mostram que acabou não tendo peso algum o “Relatório Final” dos Jogos Pan-Americanos de 2007, o cartão de visita do executivo.

Na peça do Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministro-Relator, Marcos Vilaça, classifica da seguinte forma o trabalho dos envolvidos, dizendo que podem ser assim resumidos: “Incapacidade dos agentes envolvidos de prever, antecipadamente e de forma realista, os dispêndios necessários à realização de empreendimento desta vanguarda, em face da extraordinária evolução dos gastos da União, que saltaram de pouco mais de R$ 95 milhões para 1,8 bilhão, com a maior parte da execução realizada no primeiro semestre de 2007”.

Diz também o texto: “O relator apontou, ainda, a falta de planejamento como fator constante em todas as ações relativas aos Jogos Pan-Americanos.”

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