26/02/2024

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Time da Crimeia ‘cala’ jogadores; brasileiro não teme, mas já tem ‘plano de fuga’

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Por Igor Resende, do ESPN.com.br.
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Tropas russas tomam conta da Crimeia; jogador brasileiro e companheiros não falam da situação
Tropas russas tomam conta da Crimeia; jogador brasileiro e companheiros não falam da situação

Longe de casa, em um país com uma língua para lá de complicada e um clima não muito agradável. Ainda mais para quem nasceu no interior de Minas Gerais. Não bastassem todas as adversidades, ainda houve um referendo separatista e um clima de guerra que rapidamente se instaurou, com direito a um exército estrangeiro dominando as ruas. A situação até parece de um filme, mas é exatamente o que vive o brasileiro Farley Rosa.
Com apenas 20 anos e já eleito logo em sua primeira temporada o melhor jogador do time, o meia Farley Rosa tinha tudo para estar vivendo um sonho com a camisa do Sevastopol. O problema é que a situação extracampo não permite que a realidade seja tão doce. O clube ucraniano está localizado na península da Crimeia e vive o dia-a-dia da crise entre o país e a vizinha Rússia.

Em meio a todos os protestos que tomaram conta da Ucrânia em 2014, um referendo local acabou mostrando que os cidadãos da Crimeia preferem se separar do país e se anexar à Rússia. Antes mesmo da decisão, porém, tropas russas já tomavam conta das ruas da região, em nome da defesa dos cidadãos locais contra o governo considerado pelos próprios russos como ilegítimo que havia tomado o poder em Kiev.

No âmbito futebolístico, a decisão do referendo rapidamente se transformou em uma nova discussão. Os dois times da região – o Sevastopol e o Tavriya Simferopol – manifestaram publicamente o desejo de aceitar a votação e trocar o Campeonato Ucraniano pelo Russo. Nos bastidores, exigem da nova ‘pátria-mãe’ um lugar diretamente na primeira divisão, o que promete acirrar as discussões nos próximos dias.

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Aos 20 anos e na primeira temporada, Farley Rosa foi eleito o melhor jogador do Sevastopol
Farley Rosa foi eleito o melhor jogador do Sevastopol

E no meio disto tudo está Farley Rosa. O brasileiro, assim como todos os outros jogadores do Sevastopol, foi proibido pelo clube de falar com a imprensa sobre assuntos relacionados com o impasse vivido pela Crimeia. A mesma ‘blindagem’ ocorre quando o assunto é a possível mudança para o Campeonato Russo. Os próprios dirigentes fazem questão de manter este assunto entre eles.

Farley, porém, mantém contato direto com o assessor de imprensa para contar como está a situação no local. Ele garante que, apesar das tropas russas tomarem conta das ruas e o clima não consiga se livrar de um ar de insegurança, tudo ainda está muito tranquilo. Muito por conta do apoio que ele sente vir da população local aos russos. Nada de abusos de autoridade ou de confusões espalhadas pela cidade.

Mesmo assim, a própria empresa que assessora Farley já começa a se movimentar para criar uma espécie de plano de fuga. Nada de surpresas desagradáveis em caso de um conflito armado se inicie na região. O contato direto com a embaixada brasileira na Ucrânia já deixou tudo engatilhado para tirar o jogador do local.

Ao menos por enquanto, porém, Farley nem pensa em deixar o local. Com uma sensação pessoal de segurança fora do campo e com um ótimo desempenho dentro dele, o meia caiu nas graças da torcida. Contratado no início da temporada junto ao Sporting (POR), que o tirou do Cruzeiro ainda nas categorias de base, ele rapidamente ganhou o carinho local e acabou apontado pelos próprios torcedores como o melhor jogador do clube com 55% dos votos em uma eleição pelo site oficial.

“As coisas estão acontecendo para mim, sei que se eu não me dedicar, meus objetivos não vão se concretizar. Graças a Deus estou indo bem aqui, já fiz gol, fui eleito melhor em campo, entrei pra lista das melhores contratações ao lado de grandes jogadores. Minha meta é um dia chegar à Seleção, estou me esforçando para isso, mostrando meu futebol. As coisas acontecem naturalmente para quem se esforça e eu sei ter paciência. Hoje estou no Sevastopol, um clube que me deu muita visibilidade na Ucrânia, que tem um futebol que está cada vez mais sendo visto no mundo. Pretendo chegar mais longe e sou muito focado no que faço, então é continuar fazendo meu trabalho aqui para ir subindo degrau a degrau”, revelou o meia, autor de um gol e uma assistência em 15 jogos no Campeonato Ucraniano.

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