14/07/2024

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Para parceiros e filiados, CBF dá privilégio e assegura ingressos da Copa em 72h

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Por Camila Mattoso e Marcus Alves, do ESPN.com.br.

Camila Mattoso/ESPN.com.br

Marco Polo del Nero, novo presidente da CBF, e o antecessor, José Maria Marin
Marco Polo del Nero, novo presidente da CBF, e o antecessor, José Maria Marin

Enquanto a maioria dos torcedores tem de contar com a sorte nos sorteios para acompanhar uma partida de Neymar e companhia na Copa, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) aproveitou a carga de 700 ingressos colocada à disposição pela Fifa para oferecê-la para compra em março aos seus parceiros e filiadas, assegurando a reserva das entradas em até 72h. Praticamente todas as 27 federações recorreram ao privilégio para garantir a presença, dentre outros, de seus familiares, diretores e até membros de tribunais.

Segundo apurado pela reportagem, um dos representantes estaduais gastou quase R$ 100 mil com os bilhetes dos confrontos envolvendo a seleção.

O dinheiro arrecadado com a venda paralela, no entanto, não foi depositado em conta da CBF. A partir da confirmação de interesse, ela se encarregava de encaminhar os boletos de pagamento que tinham como destino uma conta bancária da Fifa no Brasil.

“A gente fez aqui um fundo para comprar os ingressos, com os clubes e patrocinadores. Compramos R$ 85 mil em ingressos, não me lembro exatamente quanto isso dá. Cada um pagou o seu, deu os nomes, tudo como a Fifa gosta. A grana foi depositada na conta deles e vamos recebê-los perto dos jogos”, afirma o presidente da federação pernambucana, Evandro Carvalho, ao ESPN.com.br.

Segundo ele, a entidade preferiu não comercializar os bilhetes entre seus funcionários para não gerar acusação de favorecimento a um ou a outro.

Diferentemente do que fez Mauro Carmélio, do Ceará.

“Não recebi as entradas ainda, não. Passamos a carga para adquirimos e não tenho nem ideia exatamente de quanto compramos. Mandei faz tempo o pedido, deve chegar em maio e nos custou em torno de R$ 18 mil. Abrimos mais para o nosso estafe mesmo, os clubes e membros do tribunal”, diz. O confronto do Brasil com o México, em 17 de junho, na Arena Castelão, em Fortaleza, foi o alvo da maioria das solicitações. “Mais ou menos 30. A CBF mandou um boleto e eu paguei pela Fifa”, completa.

Não havia uma cota limite para as filiadas.

“72 horas era muito pouco para ver todo mundo que queria comprar, pegar os dados, cartão e etc. Então, não deu muito tempo. Acabei pegando mais para pessoas próximas, amigos, familiares. Acho que não chegaram a 20. Acredito que não tem nada de errado nisso”, analisa o presidente da federação paranaense, Hélio Cury.

Os representantes amazonenses estimam um custo de R$ 40 mil na compra dos bilhetes para o Mundial – o número elevado, explicam, se deve à existência de 56 ligas locais a que serão preciso agradar durante a competição. Goiás, Bahia e Santa Catarina também realizaram o pedido à CBF.

“Quando abriram as vendas, pedimos aos diretores interessados que fizessem o cadastro e agora estamos aguardando o retorno. O nosso critério para a divisão dos ingressos será performance (desempenho) no trabalho”, explica o mandatário da federação baiana, Ednaldo Rodrigues.

Procurada pelo ESPN.com.br, a Fifa confirmou o repasse de uma cota de 700 entradas para que a CBF comprasse e revendesse pelo mesmo preço para a “comunidade do futebol”. A mesma prática, prossegue, foi utilizada em 2006 e 2010 como forma de facilitar a presença dos parceiros nas partidas. A entidade comandada por José Maria Marin não retornou aos contatos da reportagem até a publicação da matéria.

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