16/06/2024

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Fisiculturistas não são só músculos. E ela vai provar isso virando delegada

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Do Zigzagdoesporte por UOL Esporte.

Leticia Caron se senta para acompanhar mais uma aula do último ano do curso de Direito. Abre de um lado os cadernos. Do outro, uma marmita reforçada, atraindo olhares de estranhamento. São os dois mundos que se juntam em sua movimentada e cronometrada rotina: o sonho de virar delegada e o trabalho pesado para ser uma campeã no fisiculturismo. Podem parecer escolhas opostas – “o pessoal acha que fisiculturista só malha”, ouve ela, sobre o preconceito recorrente -, mas a paranaense tenta provar que as coisas não são bem assim.

Desde cedo a loira de 27 anos combina os gostos pelo esporte, pela leitura e também por moda. Cada um influenciou aspectos em sua vida que a levaram aonde ela chegou hoje. A Letícia atleta já fez de tudo um pouco: natação, judô, tênis, capoeira. As lutas eram um problema. Ela gostava, mas o pai temia que influenciassem negativamente no desenvolvimento do corpo.

 

Arquivo Pessoal

Foi só aos 20 anos, já mais independente, que ela passou a lutar muay thai. Foi aluna da Chute Boxe em Curitiba e via estrelas como Wanderlei Silva e Cris Cyborg treinando. “Era inspirador”, conta ela, que junto ao muay thai passou a malhar mais pesado. Foi daí que o corpão foi se moldando.

 

Como frequentou uma escola de modelos e já trabalhava na área, Letícia teve a mudança física notada rapidamente. Passou a ser chamada por empresas de fitness para estrelar propagandas e ganhou um incentivo. “Eu assinei contrato como modelo de fitness e as empresas de suplementação passaram a me dizer que eu devia competir no fisiculturismo. Ano passado participei de três e tive êxito em todos”, conta a paranaense.

Letícia compete na categoria “wellness” (ou bem estar), que é considerada a mais suave do fisiculturismo. Nela, as atletas mostram músculos definidos, mas são menos fortes do que em outras disputas e precisam mostrar tanta feminilidade quanto força. Mesmo sendo o que ela chama de “categoria bebê”, ela ouve muito.

“Eu sempre gostei de corpo sarado e realmente existe muito preconceito. Mas hoje a aceitação é muito maior”, analisa ela, que diz ter medidas normais, com 102 cm de quadril e 60 cm de coxa.

Ao frequentar ambientes tão díspares, do esporte para o direito, Letícia sabe que é observada. Curiosamente, são suas tatuagens que causam mais estranheza, já que as roupas escondem a definição dos músculos. “Trabalho como estagiária na área cível e tenho de estar sempre de terno, camisa social, bem apresentada. E eu noto que tem mudança de comportamento de acordo com como me apresento. Se eu chegar assim, é: ‘doutora, o que vc precisa?’. Se chegar com tatuagem à mostra, já pego senha para o fim da fila.”

 

 

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