17/04/2024

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Casal revira lixos, surpreende até mendigo e ganha 100 ingressos pra Copa.

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José Ricardo Leite Do UOL, em Fortaleza.

Casal de Fortaleza juntou 16 mil tampinhas após revirar lixo
Casal de Fortaleza juntou 16 mil tampinhas após revirar lixo

Tudo por um ideal de unir novamente a família que já não estava mais junta como em outros tempos. Isso somado à paixão pelo futebol motivou um cearense e sua namorada a uma missão bem alternativa para assistir a um jogo da Copa do Mundo no Brasil. Você tentou comprar ingresso e não conseguiu? Pois eles conseguiram não só para os dois, mas para outras 100 pessoas que escolheram a dedo. Como? Revirando lixos.

Alexandre Sleite, 28 anos, sempre foi um dos maiores incentivadores da união de sua família. Mas depois da morte de uma de suas avós, viu os parentes se afastarem e perderem o contato semanal que tinham antes em almoços dominicais. Eis que viu uma das promoções de um dos patrocinadores da Copa do Mundo, da Coca Cola, em que o vencedor poderia levar 100 amigos para ver um jogo do Mundial. Pensou que isso poderia fazer com que a velha união voltasse.

“A casa aqui une toda a família. A minha avó morava aqui e era líder, todos se encontravam aos domingos. Ela chegou a falecer ano passado. E minha preocupação era que essa união acabasse, que foi quando surgiu a promoção da Copa para levar 100 pessoas. Depois que minha avó faleceu, poucos foram os domingos que teve encontros como antes. E pensei que ganhando essa promoção seria uma boa oportunidade para juntar todos. Aquilo me deu uma força de vontade maior”, falou.

A promoção indicava que uma das tampinhas sorteadas ganharia 100 ingressos. Para isso, juntou esforço com sua namorada, Isabellen Lira, 20 anos, estudante de nutrição. A missão era juntar o máximo de tampinhas possíveis e depois cadastrá-las no site da empresa para poder concorrer. No total, o “corre” do casal hangariou 16.000 tampas para poder concorrrer.

A dedicação foi tanta que Alexandre chegou a disputar tampas com um mendigo e revirar lixos para conseguir os objetos e poder ter mais chances de ganhar. “Aí pensei: vou me dedicar a isso aqui. Onde eu via tampinha, parava e pegava. Se eu estava no carro, parava ele e descia pra pegar. Quando eu via tampinha de longe, eu pegava. Teve um caso que eu até briguei com um catador (de lixo), aqueles caras que vem com carrinho. Antes de ele pegar a garrafa eu fui lá, corri, peguei a tampa, e ele ficou só com a garrafa. Aí ele me olhou assustado e pensou ´esse cara é doido´ só pela expressão que ele teve. Estava no chão, no meio da rua”, lembrou.

“Sou do setor administrativo da minha empresa e me visto de uma maneira bem social, do jeito que minha profissão pede. E aí viram um cara assim todo empacotado (bem vestido) disputar uma tampa de garrafa com um mendigo…foi um fato marcante. Até meus funcionários brincaram. Foi um acontecimento engraçado, mas que não é vergonhoso.”

“A maioria eu peguei de lixos. Aqui tem muita lanchonete, à noite eles fazem limpeza e jogam no lixo. Eu ia lá e pegava. As pessoas que me viam ali poderiam pensar ´nossa, olha o Alexandre, mexendo em lixo´. Mas eu aprendi a perder a timidez por esse lado. A maior dificuldade dessa promoção além de pegar as tampas era fazer o cadastro depois”, contou.

A tampa premiada saiu no nome de Isabellen e eles vão assistir ao jogo Brasil x México, no Castelão, em Fortaleza, no dia 17. Mas se pensa que tudo foi flores entre eles, está enganado. Houve um momento que chegaram a se estranhar por Alexandre cobrar falta de dedicação da estudante no seu objetivo. Ele ficou chateado e pensou que continuaria sozinho na missão. Mas foi surpreendido quando viu que a namorada “acordou” e passou a lhe ajudar de vez.

“Um dia ela não me ajudava em nada. Pedi pra ela cadastrar no nome dela e ela se recusou. Eu fiquei chateado porque tinha grande importância pra mim, vinha da minha avó aquele incentivo. Pra mim aquilo era importante. Aí tivemos uma briga. Saí sexta e fiquei sem falar com ela aré domingo. Achei uma incompreensividade da parte dela. Não quis conversa. Quando cheguei no domingo para cadastrar as tampas, já tinha sido atingido o limite de cadastros. Ela foi lá e cadastrou tudo. Então foi a partir dessa briga que ela começou a me ajudar.”

Depois da vitória, a união familiar voltou, como no último final de semana, quando muitos dos agraciados comemoravam o aniversário de Isabellen. O acordado antes de venceram a promoção, era que fossem escolhidos 80 pessoas por parte dele, e outros 20 dela. Mas, com a dedicação da jovem, o seu número aumentou pra 40, contra 60 do namorado. “Foi engraçado que depois disso um monte de gente passou a me adicionar no Facebook. Tenho uns 60 pedidos pendentes”, contou Isabellen.

“Teve gente que achava que por não chamar não era amigo. Eles falavam ´você chamou 100 pessoas e fiquei de fora´, mas é muita gente. Quando meu nome saiu na promoção várias pessoas me adicionaram”, disse a jovem.

Alexandre ainda mostrou gratidão e ofereceu um dos 100 ingressos para o garçom de um restaurante que lhe entregava todas as tampinhas que iam pro lixo. O homem que o auxiliou recusou o convite, mas ainda assim foi agraciado.  “Expliquei tudo a ele, que tinha sido uma promoção e pediu a documentação dele pra dar ingresso, mas ele não quis. Ele chou estranho. Mas peguei e dei R$ 300 reais a ele.”

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