20/07/2024

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Hoje melhor do mundo no handebol, Duda já se arriscou no vôlei e na ginástica; confira.

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Por uma filosofia do clube e um "jeito simples de ser", no Gyõri, quem cuida de tudo são o técnico e um fisiologista.

Bianca Daga, do ESPN.com.br.

Divulgação/CBHb

Duda foi eleita a melhor jogadora de handebol do mundo
Duda foi eleita a melhor jogadora de handebol do mundo pela Federação Internacional

Ela tentou o vôlei, tentou a ginástica… Mas acabou mesmo no caminho do handebol. Agora, olhando para trás, com certeza Duda não tem do que se arrepender, principalmente depois de ter sido eleita a melhor jogadora do mundo na modalidade pela Federação Internacional (IHF) na última quarta-feira. Aos 11 anos, quando essa história começou, ela nem sonhava em chegar tão longe.

“Comecei no vôlei, tentei um pouco, mas não gostei. Daí fui para a ginástica, competi nos Jogos Escolares em Blumenau… Mas com a minha altura, você pode imaginar o quanto eu me dava bem, né? (risos). Saía da ginástica de coque e maquiada, tirava tudo e ia para o treino de handebol, com uns 11…12 anos isso. Acompanhava minha irmã na escola, e comecei a gostar”, contou a armadora esquerda, que tem nada menos que 1m86 de altura.

Um degrau de cada vez

A irmã de Duda é Ana Amorim, ex-jogadora da seleção brasileira. Seguindo seus passos, Duda, hoje com 28 anos, construiu sua carreira no Brasil e, em 2006, foi jogar no Kometal Skopje, da Macedônia. Três anos depois, recebeu uma proposta para jogar no Gyõri, da Hungria, escola de handebol em que nunca tinha imaginado jogar.

“Não aceitei porque era a Hungria. Não simpatizava com as equipes de lá e não imaginava jogar lá quando fosse para a Europa. Mas era um clube muito bom, com ótimas jogadoras. E quando eu recebi a proposta, a equipe em que eu estava passava por problemas. Hoje, o Gyõri está no mesmo nível do handebol norueguês e dinamarquês, que na época eram os melhores”, contou Duda.

Foi inesperado, mas deu certo. A armadora evoluiu ainda mais, conquistou vaga cativa na seleção brasileira e levantou duas vezes a taça da Champions League pelo Gyõri, em 2013 e 2014. Pelo Brasil, foi bicampeã do Jogos Pan-Americanos (2007 e 2011) e fez parte do elenco que conquistou o título mundial inédito para o País, em 2013, tendo sido eleita a MVP da competição, disputada na Sérvia.

Rotina

Todos os títulos e prêmios são frutos de muito esforço, como na carreira de qualquer atleta. Na Hungria, Duda treina duas vezes por dia, no geral. Quando a agenda tem muitos jogos, a carga diminui para um, em alguns dias, e o domingo é de descanso. Mas mesmo no tempo livre, a brasileira não deixa o handebol de lado. Até o cachorro já entrou na dança.

“No tempo livre, às vezes assisto a vídeos de jogos, para analisar. Também faço treino extra.. uma corrida com meu marido… Antes corria com meu cachorro também, mas agora ele não aguenta mais (risos). Cuido da alimentação, mas sem exageros. Tento evitar doce e gordura, porque qualquer um ou dois quilos a mais já percebo. E também tomo suplemento para repor o que gastamos”, revelou.

Getty

Duda foi campeão mundial com a seleção
Duda foi campeão mundial com a seleção

Por uma filosofia do clube e um “jeito simples de ser”, no Gyõri, quem cuida de tudo são o técnico e um fisiologista. Já quando está com a seleção brasileira, em fase de treinamentos e disputa de competições, a armadora – assim como as outras atletas – conta com o trabalho de diversos profissionais, como massagista, nutricionista e psicóloga, que também o auxiliam de longe, quando ela está na Europa.

Futuro

E a ideia, pelo menos por enquanto, é continuar no Velho Continente. “Não tenho nada muito planejado, porque às vezes fazemos muitos planos e eles acabam não dando certo. Tenho contrato com o Gyõri até a Olimpíada e se eu tiver alguma proposta melhor na Europa vou analisar. A Liga Brasileira ainda não está em um nível que eu goste de jogar. Quem sabe no fim da carreira”, disse.

No auge que qualquer atleta pode sonhar alcançar, Duda tem como principal objetivo, daqui para frente, subir no pódio no Rio de Janeiro, em 2016, medalha que ainda falta para ela e para a seleção. Mas primeiro, a brasileira precisa se recuperar de uma cirurgia que fez em dezembro para tratar o rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.

“O que falta realmente é a Olimpíada. Mas primeiro preciso me recuperar. Depois vou tentar jogar o Pan e buscar uma medalha no Mundial. Precisamos continuar com o trabalho que está sendo feito e não parar, achando que já está bom. Ainda temos algumas coisas para evoluir. Vamos tentar melhorar na defesa 5-1, que pode ser uma carta na manda e alternativa à 6-0. Mas já estamos no nível do handebol europeu”, analisou.

Em julho, a seleção brasileira participa dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e, no mês de dezembro, buscará o bicampeonato mundial na Dinamarca. Duda é dúvida para o torneio que será disputado no Canadá. A brasileira foi eleita a melhor do mundo em votação que que teve a participação e mais de 55 mil pessoas. A jogadora do Gyõri recebeu 32,5% dos votos e superou a romena Christina Neagu (25,8%) e a norueguesa Heide Loke (16,8%).

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