Campeã mundial de boxe, Amanda Serrano abre mão de cinturão em protesto por igualdade de gênero. ENTENDA O FATO !
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Por Carlos Fiúza de Salvador para o Zigzagdoesporte.com.br
Amanda Serrano provou se manter fiel a seus ideais independentemente das consequências. Campeã mundial peso-pena de forma unificada no boxe, a atleta porto-riquenha abriu mão de um de seus cinturões em sinal de protesto por direitos igualitários entre homens e mulheres no esporte.
Uma das principais expoentes do pugilismo feminino na atualidade, “The Real Deal” renunciou ao título do WBC (Conselho Mundial de Boxe) e anunciou a decisão em suas redes sociais.
A postura foi motivada pela conduta que os dirigentes do WBC adotaram recentemente.
No fim de outubro, Serrano derrotou a brasileira Danila Ramos e defendeu sua hegemonia na modalidade. O confronto, porém, se destacou por outro motivo. As duas atletas protagonizaram a primeira luta de unificação de títulos mundiais entre mulheres disputada em 12 rounds de até três minutos – mesma regra adotada em confrontos masculinos.
Na oportunidade, Serrano manteve em sua posse três dos quatro títulos mundiais peso-pena que detinha: IBF (Federação Internacional de Boxe), WBA (Associação Mundial de Boxe) e WBO (Organização Mundial de Boxe). A cinta da porto-riquenha do WBC (Conselho Mundial de Boxe) foi a única que não esteve em jogo na ocasião, uma vez que a entidade não concordou em homologar uma disputa feminina com 12 rounds de três minutos.
“Sou a primeira campeã indiscutível entre as mulheres a lutar 12 rounds de três minutos. Seguindo em frente, se um órgão sancionador não quer dar a mim e minhas colegas lutadoras a escolha de lutar da mesma forma que os homens, eu não vou lutar por essa entidade. O Conselho Mundial de Boxe se recusou a evoluir o esporte por igualdade. Então estou renunciando ao título deles. Obrigado às entidades que evoluíram em prol da igualdade!”, comunicou Serrano.
Campeã confrontou a postura da WBC
Normalmente, os duelos femininos no boxe – inclusive os que envolvem disputa de título – são programados para 10 rounds de até dois minutos de duração.
Disposta a competir nas mesmas condições que os pugilistas masculinos, Amanda Serrano discordou da postura adotada pela WBC e decidiu abrir mão do cinturão mundial que detinha junto à entidade.
Confira o pronunciamento de Amanda Serrano
Eu amo boxe, doei minha vida a esse esporte. Sem celular, sem namorado, sem festas, apenas boxe. Sou a única pugilista, entre homens e mulheres, de Porto Rico e se tornar campeã indiscutível. Sou a única boxeadora mulher a ter ganho títulos em sete categorias. Sou a primeira pugilista mulher, ao lado de Katie (Taylor) a fazer uma luta principal no Madison Square Garden. Sou a primeira pugilista mulher a receber sete dígitos (de salário) por uma luta e o mesmo de patrocinadores. E sou a primeira campeã indiscutível entre as mulheres a lutar 12 rounds de três minutos. Seguindo em frente, se um órgão sancionador não quer dar a mim e minhas colegas lutadoras a escolha de lutar da mesma forma que os homens, eu não vou lutar por essa entidade. O Conselho Mundial de Boxe (WBC) se recusou a evoluir o esporte por igualdade. Então estou renunciando ao título deles. Obrigado às entidades que evoluíram em prol da igualdade! Se você quiser me encarar no ringue, você tem escolha. Eu fiz a minha. Obrigado a todos os meus amigos lutadores que estiveram ao meu lado em apoio. Obrigado ao meu time e fãs. E, acima de tudo, obrigado a Deus. Sou abençoada. #MVP #NósFazemosMelhor #Mulheres #Igualdade