03/03/2024

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Início dos testes da pré-temporada em Jerez promete pistas sobre a ‘nova’ F-1

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RBR e Sebastian Vettel seguirão imbatíveis em 2014 ou Mercedes, Ferrari e cia. conseguirão desafiá-los? Será que a McLaren vai repetir o desempenho pífio de 2013? A Williams, agora liderada por Felipe Massa, conseguirá ressurgir das cinzas? Quais serão as diferenças de comportamento entre os carros desse ano e os do ano passado?

As primeiras pistas para essa série de perguntas serão dadas nesta semana, na primeira das três sessões de testes de pré-temporada da Fórmula 1. Nesta terça-feira, os carros saem dos simuladores para as pistas. Serão quatro dias de treinos no circuito espanhol de Jerez de la Frontera. Das 11 equipes, apenas a Lotus não participará da atividade. Com problemas financeiros evidentes desde o fim do ano passado, o time de Enstone atrasou o desenvolvimento do novo carro e preferiu estrear o novo bólido apenas na segunda sessão de testes, de 19 a 22 de fevereiro, no Bahrein.

Os testes em Jerez darão as primeiras pistas sobre a avalanche de novidades da F-1 (Foto: Getty Images)Os testes em Jerez darão as primeiras pistas sobre a avalanche de novidades da F-1 (Foto: Getty Images)

A terça-feira marcará também a apresentação oficial dos novos carros de RBR, Mercedes, Williams, Marussia e Caterham, já que os demais times já exibiram imagens de seus bólidos. Mas não espere respostas definitivas, apenas pistas. Em 2014, a F-1 experimentará uma das maiores mudanças de regulamento técnico de sua história. Nesta terça, portanto, será dado apenas o primeiro passo de uma longa jornada de desenvolvimento dos carros.

São várias as mudanças. De cara, os torcedores poderão estranhar a nova tendência visual dos monopostos da categoria. A partir deste ano, o regulamento da F-1 prevê um chassi com 525 mm de altura e um bico dianteiro com apenas 185 mm (contra os 550 mm de 2013). O grande contraste nas dimensões provocou uma repaginada geral nos carros, que agora exibem os polêmicos bicos rebaixados apelidados de “nariz de Gonzo”. No caso da Ferrari, a solução foi apelar para uma frente do tipo “aspirador de pó”, enquanto a Lotus apostou em um bico duplo com formato assimétrico.

Mosaico Carros F1 (Foto: Divulgação)Os novos carros da Fórmula 1 aceleram no circuito espanhol a partir desta terça-feira (Foto: Divulgação)

Outra novidade que deve causar impacto é que os motores turbo estão de volta à categoria após 26 anos, com a entrada dos V6 1.6 litro no lugar dos V8 aspirados de 2.4 litros. Além de um som bem diferente, mais agudo, o novo propulsor fará parte da chamada “unidade de energia”, que contará com dois sistemas de recuperação de energia, o ERS. Sim, o “KERS”, usado nos três últimos anos perde o “K” de “Kinect”, pois recuperará não só energia cinética como também energia de calor.

O câmbio agora passará a ter oito marchas, não sete. O máximo de combustível para uma corrida cairá de 180kg para 100 kg, o que obrigará pilotos e equipes a reformular a administração do consumo durante os GP. Além disso, há alterações aerodinâmicas, sendo que a mais visível delas, a redução da altura da frente do carro, proporcionou o desenvolvimento dos estranhíssimos bicos projetados, alguns deles batizados de “nariz de Gonzo”, “tamanduá”, “aspirador” e etc.

Com tantas alterações, a maior preocupação das equipes não será com o desempenho, e sim com a confiabilidade dos monopostos. A avalanche de mudanças e o pouco tempo para testar essas novidades criam uma grande incógnita em relação ao comportamento que os novos bólidos terão nas pistas. As equipes já temem que o início da temporada seja marcado por muitos abandonos. Quando for dada a largada do GP da Austrália, em março, é possível que o processo de desenvolvimento ainda não esteja totalmente concluído. Este contexto, claro, deixará a F-1 ainda mais emocionante, como prevê o chefe de equipe da RBR, Christian Horner.

Felipe Massa na fábrica da Williams, sua nova equipe na Fórmula 1 (Foto: Divulgação Williams)Felipe Massa na fábrica da Williams, sua nova equipe na Fórmula 1 (Foto: Divulgação Williams)

– Confiabilidade será um problema nas primeiras corridas e também um fator crucial no campeonato mundial deste ano. A tecnologia destes novos motores ainda está muito imatura. Por isso, a estratégia que teremos que adotar durante uma corrida será bastante diferente a partir de agora. Será uma ação muito tática, que dependerá de como você usa seu limite de combustível e como você otimiza o seu motor do início ao fim da prova. Vai ser fascinante – crava o chefe de Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo.

Apesar das incertezas, a série de mudanças provocadas pelo novo regulamento é vista com bons olhos pelos times interessados em colocar um ponto final no domínio da RBR. Com o desenvolvimento dos carros começando do zero, as equipes tentarão interromper uma incômoda hegemonia que já dura quatro temporadas. Equipes como Williams e McLaren terão uma chance de apagar a má impressão deixada em 2013.

Dona de nove títulos do Mundial de Construtores e sete do Mundial de Pilotos, conquistados entre 1980 e 1997, a Williams tem andado longe de seus tempos de glória nos últimos anos. Mas a tradicional escuderia fundada por Sir Frank Williams viu na contratação de Felipe Massa uma oportunidade de ter um piloto com larga experiência na linha de frente de uma nova etapa. O objetivo, claro, é voltar a brigar por pódios e impedir que a presença de Sebastian Vettel no lugar mais alto se torne algo cada vez mais recorrente.

Esta também é a missão da Ferrari, que resolveu colocar o finlandês Kimi Raikkonen para ocupar o lugar deixado por Massa após oito temporadas. Com a contratação do “Homem de Gelo”, a escuderia de Maranello tentará apelar para a dupla explosiva formada com Fernando Alonso para incomodar a RBR também no Mundial de Construtores. A partir desta terça-feira, os testes em Jerez poderão dar uma pista se a perigosa receita vai mesmo surtir efeito no decorrer da temporada que inaugura uma “nova” Fórmula 1.

Sebastian vettel RBR gp do Japão (Foto: Agência Reuters)Sebastian Vettel celebra vitória. Esta também será a cena mais repetida da F-1 em 2014? (Foto: Agência Reuters)

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