25/06/2024

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Primeiro companheiro de Senna na F1 revela mágoa com o brasileiro

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Bruno Thadeu e Marcelo Freire
Do UOL, em São Paulo.

Johnny Cecotto, primeiro companheiro de equipe de Senna na F1

Johnny Cecotto, primeiro companheiro de Senna na F1, seguiu carreira nos campeonatos de turismo Divulgação

Há exatos 30 anos, Ayrton Senna estreava na Fórmula 1 a bordo de um Toleman-Hart no GP do Brasil, em Jacarepaguá. Então com 24 anos, Senna chegava com status de revelação após ter sido campeão, nos anos anteriores, das categorias 1600 e 2000 da F-Ford e também da F-3 Inglesa.

Do outro lado dos boxes da Toleman estava o venezuelano Johnny Cecotto, de 28 anos, o primeiro sul-americano a conquistar um título no Mundial de Motovelocidade – foi campeão da extinta categoria 350cc em 1975. Cecotto havia migrado das motos para os carros no início da década de 1980 e faria sua segunda (e última) temporada na F1.

Segundo Cecotto, Senna já chegou à Toleman assinando como primeiro piloto. O venezuelano foi contratado pela equipe depois do brasileiro, após ter conquistado um ponto em seu ano de estreia na F1, em 1983, pela pequena Theodore. De acordo com o ex-piloto, a relação esfriou bastante durante o ano, por um motivo que ele diz não saber ao certo.

“A princípio a relação era boa, próxima, andávamos juntos. Depois, testamos o mesmo carro uma vez, em Donington, e eu fui um pouco mais rápido. Ele não ficou contente e, mesmo sendo o primeiro piloto, a partir deste dia a relação ficou mais difícil”, conta Cecotto ao UOL Esporte.

O venezuelano recorda que Senna, como primeiro piloto, contava com equipamento atualizado, ao contrário do carro guiado por Cecotto. O ex-piloto ri ao lembrar da dedicação de Senna em contar com o melhor equipamento possível – o que era natural dos competidores que sonhavam com o título da F1, de acordo com Cecotto.

“Ele queria todas as melhores condições para ele [risos]. Ele tinha o motor novo, do ano, com injeção eletrônica – a minha era mecânica, do ano anterior. Ele fazia todos os testes, eu nunca testava. Havia diferença de potência e velocidade, que eram menores no meu carro. Tudo girava em torno dele. Era sua forma de ser, queria a equipe para ele. Mas creio que, para um piloto que quer ser campeão, é [um comportamento] bastante normal.”

Mesmo incomodado na época, Cecotto diz que a Toleman não tinha condições financeiras de fornecer carros rápidos para os dois pilotos. E enquanto Senna conquistou três pódios e 13 pontos para a equipe em 1984, Cecotto terminou apenas duas das nove corridas que largou naquele ano – foram ao menos cinco abandonos por problemas mecânicos.

A relação entre os dois, que já era distante, terminou definitivamente após um acidente de Cecotto nos treinos do GP da Inglaterra de 1984, em Brands Hatch. Ele quebrou as pernas na batida, que encerrou sua carreira na F1, e nunca mais teve contato com o brasileiro.

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